Artigo da seção grupos Grupo Corpo

Grupo Corpo

Artigo da seção grupos
Dança  
Data de criação da obra Grupo Corpo: 1975 Local de crição: (Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte)

Fundado em 1975, na cidade de Belo Horizonte, o Grupo Corpo é uma companhia brasileira de dança contemporânea reconhecida pelo trabalho cuidadoso de pesquisa para a construção de suas coreografias, mediadas pela relação entre movimento e música.

Tem à frente de sua fundação e organização, a família Pederneiras: Rodrigo (1955), o coreógrafo da companhia; Paulo, o diretor artístico; Pedro, o diretor técnico; e Miriam, uma das assistentes de coreografia. O fato de se caracterizar como uma companhia familiar simboliza o projeto de arte e vida do Grupo Corpo. Outros profissionais também atuam no grupo desde sua fundação, como a figurinista Freusa Zechmeister (1941) e o cenógrafo Fernando Magalhães Velloso (1951). A duradoura participação familiar na produção da companhia distingue esse projeto artístico no cenário brasileiro da dança contemporânea, sobretudo pela continuidade do trabalho técnico e profissional.

O grupo estreia em 1976 com Maria Maria, com música original assinada por Milton Nascimento (1942) e coreografia do argentino Oscar Araiz (1940). O espetáculo realiza turnê por catorze países, conquista sucesso internacional e permanece seis anos em cartaz. Em 1978, a companhia ganha sede própria na capital mineira e inicia-se o ciclo de coreografias assinadas por Rodrigo Pederneiras.

O percurso do Grupo Corpo caracteriza-se pela pesquisa do coreógrafo, que sedimenta a tradição da companhia e conquista reconhecimento público. A característica fundamental do trabalho coreográfico do Corpo é a relação entre movimento e música, além disso, destaca-se pela  profissionalização dos bailarinos e da equipe técnica.

Com uma produção regular por ano, o Grupo Corpo consolida sua identidade com olhar esteticamente particular: o jeito brasileiro na dança. Na década de 1990, é comum a crítica especializada indicar que o Grupo Corpo define-se por algo de “brasileiro”1. No entanto, as coreografias de Pederneiras não se dedicam à movimentação única do swing do quadril, mas a inúmeras possibilidades dessa gramática, além da inclusão da música brasileira em suas apresentações. A marca dessa certa brasilidade deve ser entendida como modo de investigação da circularidade de movimento, das relações desse movimento com a música e, finalmente, da composição estética que conforma a integridade da obra (figurino, cenário, refinamento e precisão de movimento). 

Na pesquisa musical, algumas escolhas relacionam repertório, compositores e a busca por uma identidade brasileira na criação, como a parceria com compositores como Marco Antônio Guimarães (1948) e José Miguel Wisnik (1948), com temas eruditos –, e ainda compositores da música popular brasileira como Caetano Veloso (1942), Tom Zé (1936) e o grupo de jazz Metá Metá.

Desde a década 1970, a companhia ensina à dança contemporânea brasileira como o movimento compõe uma dramaturgia sem necessariamente recorrer à narrativa convencional. O público aprende com Pederneiras a ler o movimento e a identificar suas histórias em seus acentos e suas nuanças (a música, o cenário, o figurino), com alto grau de qualidade.

Há saltos estéticos nessa trajetória. Nos primeiros anos do grupo, com a música erudita, a movimentação ganha melodia, frases e sequências coordenadas na composição musical e um desenho coreográfico descendente do balé clássico, mas não idêntico a ele, porque busca sua autenticidade. Em 1992, com 21, o Grupo Corpo ganha maturidade ao investir em estruturas rítmicas com repetições e desenhos mais complexos, quando curvas no movimento e no espaço se complexificam. Também crescem as referências dramatúrgicas, com Nazareth (1993), que mistura os aspectos musicais e também literários – Machado de Assis (1839-1908) serve de inspiração para cenário e figurino. Com a presença de músicos brasileiros, a composição ganha complexidade e também clareza, uma assinatura autêntica. A década de 1990 intensifica a trajetória internacional do grupo, com estreias na Maison de la Danse, na cidade francesa de Lyon, dos espetáculos Bach (1996), Paralelo (1997) e Benguelê (1998)

No ano de 2015, a companhia completa quarenta anos com duas novas obras: Dança Sinfônica e Suíte Branca. Dança Sinfônica. A primeira conta com coreografia de Rodrigo Pederneiras e trilha sonora composta em orquestra por Marco Antônio Guimarães. A coreografia Suíte Branca foi criada pela coreógrafa Cassi Abranches (1974) e com trilha de Samuel Rosa (1966), da banda brasileira de rock Skank.

Em 2017, o grupo estreia Gira, coreografada por Rodrigo Pederneiras a partir da proposta musical do grupo Metá Metá. Rodrigo busca em religiões afro-brasileiras, como a umbanda e o candomblé, inspiração para movimentos que não mimetizem os ritos das celebrações, mas os ressignifiquem. Com o mínimo de elementos cênicos e um figurino que valoriza os movimentos, sem diferenciação de gêneros, é o movimento dos corpos relacionados com o espaço e o som que protagoniza o espetáculo.

O Grupo Corpo tem uma dramaturgia que parte de minúcias do movimento e nos apresenta, a cada criação, inúmeras combinações. A coreografia e o trabalho cênico permitem aos corpos movimentos que valorizam a brasilidade de ritmos e ritos por meio de encontros entre cultura e tradição da dança contemporânea.

Notas

1 VENTURA, Zuenir. Grupo Corpo. In: BOGÉA, Inês (Org.). Oito ou nove ensaios sobre o Grupo Corpo. São Paulo: Cosac & Naify, 2001.

Outras informações do grupo Grupo Corpo:

Espetáculos (35)

Todos os espetáculos

Fontes de pesquisa (8)

  • BOGÉA, Inês (Org.). Oito ou nove ensaios sobre o Grupo Corpo. São Paulo: Cosac & Naify, 2001.
  • DE SA, Bibiaba Gutierrez Fernandes. Grupo Corpo – Cultura nacional na dança contemporânea. In: CONGRESSO Brasileiro de Ciências da Comunicação, Natal (RN), 31, 2008. Anais […] INTERCOM – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, Natal (RN), 2-6 set. 2008. Disponível em: http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2008/resumos/R3-2044-1.pdf.  Acesso em 11 dez. 2015
  • GAVIOLI, Izabela Lucchese. Coreografia “21” do Grupo Corpo: processo de criação cênica e identidade artística. In: ABRACE – Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas. Porto Alegre, 2012. Anais [...], Porto Alegre, 2012. Disponível em:  http://www.portalabrace.org/viicongresso/completos/pesquisadanca/IZABELA%20LUCCHESE%20GAVIOLI.COREOGRAFIA.21.GRUPO.CORPO.pdf. Acesso em: 11 dez. 2015
  • GRUPO CORPO. Missa do Orfanato, 1989; Onqotô, 2005. Belo Horizonte, Minas Gerais, [2006]. Programa do Espetáculo.
  • GRUPO Corpo. Site oficial. Disponível em: http://www.grupocorpo.com.br. Acesso em: 11 dez. 2015
  • KATZ, Helena. Grupo Corpo companhia de dança. Rio de Janeiro: Salamandra, 1995.
  • PERES, Beatriz. Corpo volta às origens com "Missa do Orfanato". São Paulo, Folha de São Paulo, 9 ago. 2006. Seção Acontece. Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br/fsp/acontece/ac0908200601.htm>. Acesso em: 6 dez. 2017.
  • TERRENO baldio, 1981. Programa do Espetáculo. Disponível em: <http://www.angelvianna.art.br/arquivos/8/87/1981XXXX-MG-ILU-PRO.pdf>. Acesso em: 14 jun. 2018.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • GRUPO Corpo. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/grupo635927/grupo-corpo>. Acesso em: 22 de Out. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7