Artigo da seção grupos Garotos Podres

Garotos Podres

Artigo da seção grupos
Música  
Data de criação da obra Garotos Podres: 1982 Local de crição: (Brasil / São Paulo / Mauá)

Histórico
É uma banda de punk rock brasileira. Formada em 1982, em Mauá, cidade da grande São Paulo, por José Rodrigues Mao Júnior, o Mao (vocalista e gaitista), ex-integrante da banda Submundo, de Santo André; Godô (baixista); Mauro (guitarra) e Maurício (bateria).

Seus integrantes são jovens estudantes, participantes de um grupo político chamado Alicerce da Juventude Socialista, de orientação trotskista e próximo ao Partido dos Trabalhadores (PT). A banda realiza sua primeira apresentação pública em 1983, em um evento na cidade de Santo André em prol do fundo de greve dos Metalúrgicos do ABC. Em 1984, o grupo tem sua primeira alteração, saem Godô e Maurício e entram Michel Stamatopoulos, o Sukata (baixo) e Luís Manoel Gonçalves, o Português (bateria).

A banda produz canções curtas, caracterizadas por tempos acelerados, resultantes da fusão de guitarras rápidas e de poucos acordes repetitivos. As letras são interpretadas pelo vocal gutural e rouco de Mao, com muitos gritos e palavras mal pronunciadas além de uma bateria frenética com ênfase em bumbos e pratos, principalmente em seus primeiros trabalhos. Outra característica da banda são as letras de protesto. O próprio nome escolhido revela mal-estar e inconformismo. A maior parte de seu repertório é formado por um discurso de crítica social, direcionado ao capitalismo e aos símbolos burgueses, como em Papai Noel Velho Batuta (1985), e com mensagens libertárias como em Anarkia Oi (1985) e em A Internacional (2003), versão punk rock criada a partir do poema do socialista francês Eugène Pottier (1816-1887), utilizado como hino nacional da União Soviética entre 1917 e 1941.

Em 1985, gravam em apenas um dia seu primeiro LP, intitulado Mais Podres do que Nunca, distribuído pelo selo Rocker. Destacam-se no álbum as canções Papai Noel, Velho Batuta, que se torna o maior sucesso da banda, Anarkia Oi, Johnny, Vou Fazer Cocô e Führer, todas censuradas pela polícia federal. O álbum tem boa vendagem e algumas canções são tocadas nas rádios. Em 1988, os Garotos Podres assinam contrato com a gravadora Continental e gravam o disco Pior que Antes, com destaque para Eu Não Gosto de Governo, Yankees Go Home, Subúrbio Operário e Batman, canção do repertório da banda Submundo e uma das últimas a serem censuradas no país. A canção Subúrbio Operário é incluída na trilha sonora do curta-metragem Rota ABC, dirigido por Francisco César Filho (1958), premiada em festivais de cinema de Nova York e Brasília em 1990.

O Garotos Podres são influenciados por bandas punks inglesas do final dos anos 1970, como MC5, Stooges, Sex Pistols e The Clash, que apresentam letras criticas à Guerra Fria, ao nacionalismo inglês e à monarquia britânica. Também pelos Ramones e bandas alternativas, conhecidas pelo gênero streetpunk ou Oi!, que se destacam no início da década de 1980, como Cockney Rejects, Cock Sparrer e Sham 69, conhecidas no Brasil por meio da coletânea Strenght thru Oi!. São grupos punks formados nos subúrbios de Londres, escutados por jovens operários e skinheads, que surgem com uma proposta de ser uma revitalização do punk rock agressivo, realista, das ruas, sem a comercialização e a suavidade das bandas pós-punk dos anos 1980. Uma das características mais marcantes dos Garotos Podres é a capacidade de atrair em seus shows skinheads e punks, grupos rivais entre si, além de jovens que se identificam com a sonoridade e com as canções da banda.

Em 1993, lançam de forma independente o disco Canções para Ninar, com destaque para Oi Tudo Bem? Fernandinho Veadinho (contra o confisco da poupança realizado pelo presidente Collor) e Rock de Subúrbio, canção que se torna o primeiro videoclipe da banda. No ano de 1995, realizam sua primeira turnê internacional, apresentando shows na Europa ao lado da banda punk portuguesa Mata-Ratos. No mesmo ano, lançam em Portugal o disco ao vivo Rock de Subúrbio – Live, pelo selo Fast’n’Loud. Em 1997, gravam o CD Com a Corda, pela Paradoxx Music, com produção de Clemente, da banda Inocentes. O disco alcança boas vendagens e a canção O Mundo Não Para de Girar! (Por Isso Eu Estou Tonto!!) é uma das mais tocadas da rádio 89 FM de São Paulo[1]. O grupo ainda grava seu segundo videoclipe, da canção Mancha, com participação especial o jurado de programa de calouros Pedro de Lara. No mesmo ano a lançam na Europa a coletânea Arriba! Arriba! O disco contém músicas dos primeiros discos e algumas canções gravadas ao vivo na Alemanha, durante a turnê europeia de 1995. No final de 1997, o baterista Português é substituído por Leandro Ciorra Ferreira, o Capitão Caverna. Em 2001, a banda grava o segundo disco ao vivo, Live in Rio.

Lançam o CD independente Garotozil de Podrezepam – 100mg, em 2003, apresentando uma sonoridade mais madura, com influência de outros gêneros como o ska e o reggae, além de uma versão em português de Born to Be Wild, da banda Stephenwolf. Algumas canções são bem-humoradas e irônicas, caso de Ainda Vamos Tocar Bossa Nova (2003), que justifica a opção de uma musicalidade intencionalmente mal tocada e crítica à classe média carioca: Ainda vamos aprender a tocar/ Ainda vamos tocar bossa nova/ Quando a garota de Ipanema/ Vestir o macacão e ir pra fábrica/ Produzir tratores para o campesinato/ E ainda comandar o regimento da Guarda Vermelha.

Em 2008, Mauro é substituído Carlos Saffiotti, o Kaka. A banda continua a realizar algumas apresentações em festivais de rock e bares até 2012, quando encerra suas atividades depois de Mao e Kaka deixarem a banda. Após o fim dos Garotos Podres, Mao e Kaka anunciam a formação da banda O Satânico Dr. Mao e os Espiões Secretos.

Fontes de pesquisa (7)

  • ALEXANDRE, Ricardo. Dias de luta: o rock e o Brasil dos anos 80. São Paulo: DBA Artes Gráficas, 2002.
  • ALZER, Luiz André; CLAUDINO, Mariana. Almanaque dos Anos 80. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.
  • BIVAR, Antônio. O que é o punk. São Paulo: Brasiliense, 1982.
  • ESSINGER, Sílvio. Punk: anarquia planetária e a cena brasileira. São Paulo: Ed. 34, 1999.
  • GAROTOS PODRES. Release oficial da banda. Disponível em: [www.cacapratesmanagement.com.br/garotos.html]. Acesso em: 18 set. 2013.
  • STAMATOPOULOS, Michel. Você quer ser Johnny? São Paulo: Olho d’água, 2007.
  • VINIL, Kid. Almanaque do rock. São Paulo: Ediouro, 2008.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • GAROTOS Podres. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/grupo635922/garotos-podres>. Acesso em: 22 de Jan. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7