Artigo da seção grupos Teatro Oficina do Perdiz

Teatro Oficina do Perdiz

Artigo da seção grupos
Teatro  
Data de criação da obra Teatro Oficina do Perdiz: 1975 Local de crição: (Brasil / Distrito Federal / Brasília)

Histórico

Oficina mecânica fundada pelo paulista José Perdiz em 1969, localizada na quadra 708/709 norte, em Brasília. Em 1975, o mecânico cede o espaço para ensaios do grupo de teatro de seu enteado, aluno de teatro da Faculdade Dulcina de Moraes (FADM). A partir de então, recebe diversos artistas locais que a usam para ensaios. Em 1989, a oficina é transformada em espaço cultural quando o diretor de teatro Mangueira Diniz (1954-2009) resolve utilizá-la para a peça Esperando Godot, de Samuel Beckett (1906-1989). Para a montagem, Perdiz constrói uma estrutura cênica improvisada, com arquibancadas e camarins. Durante o dia, a oficina funciona normalmente e, à noite, o local recebe apresentações de peças de teatro e shows de música.

Em 1991, Mangueira Diniz encena o espetáculo Bella Ciau, de Luís Alberto Abreu, adaptação dele e de Francisco Rocha. Segundo o jornalista e crítico teatral Sérgio Maggio:

Bella Ciao, aliás, é um capítulo de ouro na história da arte em Brasília. O espetáculo ficou em cartaz por um ano, edificou a Oficina do Perdiz como espaço teatral e foi eleito o melhor da temporada pela Associação dos Produtores de Artes Cênicas (Apac). Consagrou ainda a carreira do ator Gê Martu e revelou nomes como o de Lucinaide Pinheiro e Clarice Cardell.1

A partir daí, "a oficina mecânica de José Perdiz foi batizada como um templo teatral. Mais: um espaço que subverteu a ordem matemática dos criadores de Brasília, onde diversão e arte tinham setor certo para ocorrer".2 Entre 1991 e 1992, o teatro chega a atrair um público de mais de 7,5 mil pagantes.

Em 2002, o Teatro Oficina do Perdiz é ameaçado de fechar por ser construído em um espaço ilegal. Um ato reúne artistas locais que se mobilizam para impedir que isso aconteça. Em 2006, o Teatro do Concreto entra em temporada com espetáculo O Diário do Maldito como um ato de resistência ao fechamento do teatro. No mesmo ano, o cineasta Marcelo Díaz produz o curta-metragem Oficina Perdiz. O filme ganha o Troféu Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Em 2010, o cineasta Piu Gomes estreia o filma Zé(s), documentário que conta a trajetória de duas oficinas: a de Zé Celso Martinez Corrêa, em São Paulo, e a de Zé Perdiz. O filme ganha o prêmio de melhor documentário no Festival de Brasília no mesmo ano.

Desde sua criação, o Teatro Oficina do Perdiz se caracteriza como um espaço alternativo de arte. Segundo Paula Bronzeado, o local exerce grande influência na movimentação cênica e artística da cidade. "Lá foram apresentadas mais de 40 peças, além de musicais, danças, música e exposição de belas artes. E isso tudo com ingressos a preços populares e muita vontade de fazer a arte acontecer."3

O Teatro Oficina do Perdiz é visto pela comunidade do Distrito Federal como um grande polo de incentivo à cultura. A vontade de José Perdiz em manter um espaço no qual artistas podem criar e se apresentar sem custos o caracteriza como "um patrimônio imaterial da cultura do Distrito Federal".4

Notas

1. MAGGIO, Sergio. Oficina-teatro Perdiz padece sem espetáculo e esperança de ver erguida a nova estrutura. Correio Braziliense, 27 jul. 2009.

2. Idem

3. BRONZEADO, Paula Lebre. Um mecânico entre a razão e a sensibilidade. Na Prática: Jornal Laboratório do Iesb, 16 jun. 2008.

4. MAGGIO, Sergio. Oficina-teatro Perdiz padece sem espetáculo e esperança de ver erguida a nova estrutura. Correio Braziliense, 27 jul. 2009.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • TEATRO Oficina do Perdiz. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/grupo635901/teatro-oficina-do-perdiz>. Acesso em: 20 de Abr. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7