Artigo da seção grupos Grupo Teatro Andante

Grupo Teatro Andante

Artigo da seção grupos
Teatro / dança  
Data de criação da obra Grupo Teatro Andante: 1990 Local de crição: (Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte)

Histórico
O Grupo Teatro Andante é criado em 1990 por Marcelo Bones e Ângela Mourão. Suas produções caracterizam-se pelo rigor técnico aliado à busca de comunicação com o público. A preocupação com a democratização do acesso ao teatro leva o grupo a participar da discussão de políticas públicas para a área artística e a envolver-se com movimentos de articulação de grupos de teatro em âmbito regional, nacional e internacional.

Antes da fundação do Andante, Marcelo Bones e Ângela Mourão trabalham juntos no grupo Palhaçadas em Geral, em que são criados os três primeiros trabalhos da dupla: Grande Cello e Palhaçadas em Geral, ambos de 1987, e O Berro ou como a Rádio Confusão Conta História de Princesa e Dragão, 1989. Esses espetáculos têm longa trajetória e são apresentados nas ruas de Belo Horizonte e em outras cidades do Brasil. Grande Cello, solo de palhaço de Marcelo Bones, está no repertório do grupo há mais de 20 anos. Sobre a formação do Andante, comenta Ângela Mourão: "Eu vinha da dança, e o Marcelo, do teatro e do circo.[...] Nosso objetivo foi aliar estas linguagens estéticas que começamos a compartilhar quando nos conhecemos. Nos apaixonamos afetiva e artisticamente".1

 

Em 1993, o Grupo Teatro Andante realiza Por um Triz, apresentado nas ruas e praças de Belo Horizonte. Os Vizinhos, também espetáculo de rua, estreia em 1995 na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais (FAFICH/UFMG).

Tauromaquia, criado por Ângela Mourão e Tarcísio Ramos Homem, com direção de Maura Baiocchi, estreia em 1994, no Teatro Marília, em Belo Horizonte.. Esse espetáculo, diferentemente da maioria dos outros do Andante, mantém forte relação com a dança e foge da estrutura dramatúrgica.

Com direção de Bones, Musiclown estreia em 1998. No elenco estão Ângela Mourão, Érica Lima, Helena Mauro e Joaquim Elias. O projeto surge vinculado a oficinas de clown ministradas por Cristiane Paoli-Quito e Rodrigo Robleño, quando o grupo se aprofunda na linguagem do palhaço, que investiga desde sua formação. A respeito de Musiclown, Ângela Mourão relata: "Alguns anos depois de termos estreado o espetáculo, observamos que já tínhamos feito quase cem apresentações sem cobrarmos bilheteria. Então decidimos que com o Musiclown faríamos sempre assim. Chegamos a mais de 100 mil pessoas de público sem nunca cobrar um ingresso".2

Em 2001 estreia Olympia, solo de Ângela Mourão inspirado na vida de Olympia Angélica de Almeida Cotta, a Dona Olympia, conhecida moradora de Ouro Preto, Minas Gerais. Morta em 1976, era famosa por perambular pela cidade vestindo-se de forma extravagante e por sua habilidade em criar e contar histórias aos turistas. Com direção de Bones e texto de Guiomar de Grammont, é o trabalho de maior repercussão do grupo, com apresentações em diversas capitais do Brasil. Vence três prêmios no Festival de Monólogos de Vitória e participa do Festival de Teatro de Buenos Aires no projeto Magdalena Latina, em 2004, e integra o Palco Giratório do Sesc Nacional, apresentando-se em 25 cidades de 17 estados brasileiros, em 2006. Sobre a encenação escreve Clara Arreguy para o jornal Estado de Minas: "Para falar desta figura carismática, Olympia se constrói sobre dois eixos: a recriação da personagem e a narração de fatos e histórias de sua vida. As duas vozes alternadas pela atriz Ângela Mourão, que, em vez de imitar, reinventa aquela mulher. Na pele de Dona Olympia, Ângela trabalha todos os recursos vocais e gestuais como uma pesquisa que procurou e conseguiu dar sentido a cada espaço do palco, cada vazio, a cada palavra, a cada silêncio, a cada movimento, a cada olhar. Como narradora, estabelece um processo de desvendamento da história através da beleza poética do texto de Guiomar de Grammont".3

O Grupo Teatro Andante estabelece uma sede no bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte, em 2002, graças a patrocínios obtidos por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Nos dois anos em que a sede é mantida, o grupo reúne jovens atores oriundos de montagens de formatura do Centro de Formação Artística (Cefar), da Fundação Clóvis Salgado. Os dois núcleos pedagógicos aprofundam as técnicas utilizadas na construção dos espetáculos de formatura dos alunos: a técnica dos bastões, empregada por Marcelo Bones na direção de Veredas da Salvação, e a utilização de máscaras, recurso de Ângela Mourão na direção de A Barrigada.

Com o fim do patrocínio, a sede é desativada em 2004, então o Grupo Teatro Andante estabelece intenso contato com grupos regionais e nacionais, compartilhando o espaço com outros coletivos e utilizando-o para apresentação de espetáculos.
 
Depois da longa trajetória de Olympia, o Andante dedica-se à montagem de uma tragédia grega para a rua: A História Trágica de Édipo Rei, que estreia em Belo Horizonte, na praça de Santa Tereza, em 2008, com direção de Marcelo Bones, dramaturgia do Grupo Teatro Andante e texto de José Carlos Aragão.

O Grupo Teatro Andante participa do movimento nacional de teatro de grupo na década de 1980 e da fundação do Movimento de Teatro de Grupo de Minas Gerais, em 1992, tendo Bones participado de sua primeira diretoria. Também colabora com o Movimento Latino-Americano de Teatro de Grupo, Circuito Off, Línea Trasversale, Roda Mundo, Rede de Teatro de Rua de BH, Rede Nacional de Teatro de Rua, entre outros. Integra o Movimento Brasileiro de Espaços de Criação, Compartilhamento e Pesquisa Teatral - Redemoinho desde a sua fundação, em 2004, e Bones é um dos quatro conselheiros nacionais em 2008.

Nesse ano, o Andante idealiza e produz o Palhaçadas em Geral - Encontro Internacional de Palhaços, em palcos e ruas de Belo Horizonte, reunindo a produção local, diversos palhaços brasileiros e atrações internacionais. Segundo Ângela: "O Palhaçadas em Geral é um projeto antigo, desde quando fomos ao primeiro Anjos do Picadeiro, há 10 anos atrás. Vimos ali uma ação diferente de festivais e mostras de teatro, embora tivesse o compartilhamento com o público. No Palhaçadas propomos esse diálogo com o circo tradicional porque sempre temos o olhar sobre aqueles que estão marginalizados, ao redor de nós, mas fora do centro [...] das atenções, da mídia, dos recursos [...]."4

O Grupo Teatro Andante caracteriza-se pela união entre projetos estéticos, éticos e ideológicos. Ainda segundo Ângela, o Andante se define por "fazer espetáculos de alta qualidade técnica, mas com comunicação popular. Fazer espetáculos que possam ser apresentados para qualquer público, desde o mais especializado, como, por exemplo, no Festival de Londrina ou no Festival Nacional de Monólogos de Vitória; e ao mesmo tempo, em Andrequicé, no sertão do cerrado mineiro, onde nunca havia ocorrido um espetáculo de teatro, ou no Palmital, bairro dos mais pobres da periferia da Grande BH [...]. Gostamos de aliar política e poesia. Nossa política não está necessariamente nos textos, mas, por exemplo, na atitude de compartilhar nossa poesia com quem não tem acesso a isso. [...] Eticamente, nos definimos por nossas opções filosóficas e políticas (não queremos dizer partidárias). Procuramos nos dedicar mais a quem tem menos acesso à arte. E sempre participamos de movimentos coletivos que busquem pensar o teatro que fazemos, mas queremos, principalmente, pensar a sociedade e seus desafios".5

Notas
1 MOURÂO, Ângela. A Trajetória do Grupo Teatro Andante. Belo Horizonte, 25 nov. 2008. (inédito). Entrevista concedida à Mariana Muniz. p. 01.

2 Idem.

3 ARREGUY, Clara. Memórias e encantamentos. Estado de Minas, Belo Horizonte, 29 jun. 2001. p. 01.

4 MOURÂO, Ângela. Op. cit., p. 03.

5 Idem, p. 01.

Outras informações

  • Outros nomes
    • Andante
    • Teatro Andante

Espetáculos (11)

Fontes de pesquisa (5)

  • ARREGUY, Clara. Memórias e encantamentos. Estado de Minas, Belo Horizonte, 29 de jun. 2001.
  • GRUPO TEATRO ANDANTE. Programação do Palhaçadas em Geral. Belo Horizonte, dezembro de 2008.
  • GRUPO TEATRO ANDANTE. Site Oficial do Grupo. Disponível em: [http://www.teatroandante.com.br]. Acesso em: 10 nov. 2008.
  • GRUPO TEATRO ANDANTE. [Currículo]. Enviado pelo grupo em 20 de novembro de 2008.
  • MOURÃO, Ângela. A Trajetória do Grupo Teatro Andante. Belo Horizonte, 25 de novembro de 2008. (inédito). Entrevista concedida a Mariana Muniz.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • GRUPO Teatro Andante. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/grupo500498/grupo-teatro-andante>. Acesso em: 29 de Mar. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7