Artigo da seção grupos Os Fofos Encenam

Os Fofos Encenam

Artigo da seção grupos
Teatro  
Data de criação da obra Os Fofos Encenam: 2001 Local de crição: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Histórico

As raízes do riso e suas variantes na expressão popular do circo-teatro e da cultura nordestina compõem a base do repertório da Companhia Os Fofos Encenam. Sediada em São Paulo, conta com artistas locais e artistas pernambucanos, que a ela se juntam.

A bufonaria é o tema de pesquisa no âmbito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde estudam os futuros integrantes da companhia. O dramaturgo Newton Moreno (1968) e as atrizes Maria Stella Tobar e Carol Badra (1973) são alunos de professores-diretores como João das Neves (1934), Marcio Aurelio (1948) e Maria Thaís (1960), nos primeiros anos da década de 1990.

Pertence a essa fase o experimento cênico Os Fofos Encenam Harold Pinter e Mauro Rasi, de 1992, do qual surge o nome do grupo. Nas primeiras experiências dramatúrgicas que dirige, Moreno faz paralelos entre o teatro de revista brasileiro e o music hall, o que configura um caminho para o coletivo e para o autor, que se projeta na década seguinte. Em 1994, integrantes da equipe são dirigidos por Maria Thaís em Os Cegos, de Michel de Ghelderode, e apresentam-se no espaço do Observatório da Unicamp.

O reencontro de ex-alunos da Unicamp e a incorporação de artistas formados na Universidade de São Paulo (USP), caso do ator e diretor Fernando Neves (1950), são fatores determinantes para a estruturação da companhia, em 2000. O primeiro trabalho é Deus Sabia de Tudo e Não Fez Nada, de Moreno, em 2001, que estreia no circuito alternativo, com sessões à meia-noite, e logo se destaca. São cinco esquetes cômicos de amor entre homens, alguns com claro objetivo de crítica à discriminação. Um dos quadros mostra o que teria sido a primeira relação homossexual no Brasil, entre um índio e um português. A partir da segunda temporada paulista, esse espetáculo passa a intitular-se Deus Sabia de Tudo...

O espetáculo seguinte, A Mulher do Trem, de 2003, com direção de Fernando Neves, trabalha a vertente do circo-teatro. Trata-se de comédia da dupla Maurice Hennequin e Georges Mitchell, montada no século XIX pelo Circo Colombo, do avô de Neves. O diretor revolve as recordações da família, que emigra de Portugal para o Brasil para trabalhar no circo. A peça apresenta personagens típicos da dramaturgia da época: a sogra linha-dura, o pai acuado e libertino, o galã, a ingênua, o amigo bêbado e sua esposa, que trai e é traída, a prostituta de luxo, os empregados intrometidos etc.

Em Assombrações do Recife Velho, de 2005, Moreno adapta e dirige a obra homônima do sociólogo Gilberto Freyre (1900-1987), pernambucano como ele. As personagens narram histórias de fantasmas e de figuras sobre-humanas como Lobisomem, Papa-Figo e Boca-de-Ouro. Em tom de humor e mistério, o projeto recorre também a outros pensadores da cultura popular e põe em xeque a formação e a identidade brasileiras com a recriação de "causos".

Sobre a tradição oral, que alicerça as criações da companhia, a crítica Mariangela Alves de Lima (1947) observa: "Quem sabe, quem ainda poderia transmitir esse patrimônio imaterial está perdendo a memória. O fascínio dos meios de comunicação de massa, instaurando de modo dominador outras narrativas, prevalece sobre os temas e formalizações da transmissão oral. Mas essa é uma constatação do presente que o espetáculo apresentado pelo grupo Os Fofos Encenam registra sem se deixar contaminar pela melancolia saudosista. O que interessa ao grupo dirigido pelo autor é a categoria de 'romântico', com a sua dupla mensagem de distorção e emotividade".1

O quarto espetáculo, Ferro em Brasa, de 2006, retoma o universo do circo-teatro, desta vez com influência do melodrama. O texto de Antonio Sampaio, do início do século XX, aborda temas como a honra familiar, a traição, as diferenças sociais e a condição feminina numa sociedade machista e conservadora. A adaptação é de Moreno e a direção, de Neves.

Em 2007, a companhia Os Fofos investe numa sede, no bairro do Bexiga, em São Paulo, e mantém em cartaz seu repertório. Estreia, em 2009, Memória da Cana, espetáculo originado de pesquisa financiada pela lei de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo, com o tema escolhido por Newton Moreno para sua tese de doutorado, que versa sobre a relação entre o universo ficcional de Nelson Rodrigues (1912-1980) e estudos de Gilberto Freyre.

Notas
1 LIMA, Mariangela Alves de. A força cênica da tradição oral. O Estado de S.Paulo, São Paulo, 17 set. 2005. Caderno 2, p. D-7.

Outras informações do grupo Os Fofos Encenam:

  • Outros nomes
    • Os Fofos Encenam Produções Artísticas Ltda.
    • Companhia Os Fofos Encenam

Espetáculos (8)

Eventos relacionados (1)

Fontes de pesquisa (3)

  • ANUÁRIO de Teatro de Grupo da Cidade de São Paulo, 2004.
  • LIMA, Mariangela Alves de. A força cênica da tradição oral. O Estado de S.Paulo, São Paulo, 17 set. 2005. Caderno 2, p. D-7.
  • SITE da revista Veja São Paulo. Disponível em: [http://veja.abril.uol.com.br/idade/vejasp/comida/teatro.html]. Acesso em: 22 jun. 2007.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • OS Fofos Encenam. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/grupo468183/os-fofos-encenam>. Acesso em: 18 de Jul. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7
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