Artigo da seção grupos Cia. Bendita Trupe

Cia. Bendita Trupe

Artigo da seção grupos
Teatro  
Data/Local
2000 - São Paulo SP

Histórico
O núcleo artístico da Cia. Bendita Trupe, cuja tônica é o trabalho coletivo e a valorização da comédia e suas variantes, cria espetáculos para crianças e adultos, com a meta de dar tratamento despojado à cena e pensar o Brasil contemporâneo com humor e contundência.

Ao núcleo fundador, formado pela diretora Johana Albuquerque e a atriz Jacqueline Obrigon, juntam-se, no decorrer dos anos, outros colaboradores. Da dramaturgia à encenação, os resultados derivam da perspectiva em equipe, sem que se anule a autonomia das funções envolvidas.

O fato de as fundadoras terem passado, no início dos anos 1990, por grupos como o Teatro da Vertigem e os Parlapatões, Patifes & Paspalhões reforça a importância das atividades em equipe na Bendita Trupe. Elas trabalham juntas desde Banheiro, de Pedro Vicente, espetáculo de formatura da turma de 1994 da Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo - EAD/USP. Segue-se Lá na Casa do Chapéu, adaptação livre dos contos de fadas de Grimm e Perrault, peça que integra o evento Era uma Vez... E ainda É, promovido pelo projeto Curumim do Sesc Pompeia, em 1996. No ano seguinte, É o Fim do Mundo!, de Renato Modesto, é premiado na Jornada Sesc de Teatro.

A primeira montagem oficial depois de escolhido o nome Bendita Trupe é Corda Bamba, de Lygia Bojunga (1932), que confere a Jacqueline o troféu de melhor atriz no Prêmio Panamco e, à companhia, a indicação de melhor espetáculo, em 2000. Três anos depois, o coletivo estreia em teatro para adultos com Os Collegas, recriação tragicômica do desastre institucional e político do governo Fernando Collor, 1990-1992. A dramaturgia, em processo colaborativo, toma por base fontes documentais do poder e da corrupção da época.

A crítica Beth Néspoli comenta: "Os dados são reais. As cenas fictícias nos conduzem pela trajetória de Collor desde a campanha eleitoral, passando pelo confisco da poupança e negociatas, até o impeachment e a vida nababesca em Miami depois de sua destituição. [...] Os intérpretes [...] permitem ao público identificar os personagens a partir de traços essenciais do comportamento, atuam no fio da navalha, sem imitações, caricaturas. Difícil distribuir méritos num espetáculo criado coletivamente. Nele triunfa a arte teatral, coletiva por excelência, sobre vaidades individuais".1

Assembléia dos Bichos, de 2005, para o público infantil, chama atenção por abordar temas ligados à ética, ecologia, cidadania e solidariedade, tendo como pano de fundo a reunião no Brasil de animais de todo o mundo para discutir seus problemas. Com a conquista do grande prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Artes - APCA, e cinco prêmios no Coca-Cola Femsa de Teatro, a peça reforça as parcerias com a dramaturga Cláudia Vasconcellos, os atores Mauricio de Barros e Vera Villela, a desenhista de luz Marisa Bentivegna, a figurinista Marina Reis e o músico Morris Picciotto.

A montagem seguinte, Miserê Bandalha, de 2006, volta a colocar em pratica um princípio fundamental para a companhia, o de estimular a inteligência e o humor do público perseguindo o ideal de um teatro sério no assunto, mas divertido na abordagem. O espetáculo embaralha gêneros de humor para falar da trajetória de um grupo de amigos de infância que vive no fictício Morro do Pipoco, e também tangencia o papel da mídia e o da classe média na sociedade brasileira. Põe em cena tipos como um traficante mirim, um médico que vende órgãos no mercado negro, uma mercenária dona de uma ONG e uma repórter sensacionalista. A concepção utiliza material produzido no projeto Na Linha de Fogo: da Cidadania Ultrajada à Marginalidade, realizado ao longo de dois anos, a partir de 2004, com apoio da Lei de Fomento para a cidade de São Paulo.

Em sua crítica, Sérgio Salvia Coelho elogia a ordenação do caos e a inventividade da encenação e da dramaturgia em processo colaborativo. "Os seis atores se desdobram em dezenas de personagens tendo como principal recurso sua garra e alegria. Assim, ridicularizando hipocrisias, a Bendita Trupe cumpre a nobre missão dos bufões: fazer o público voltar para a casa nem aliviado nem esclarecido, mas desnorteado com seu humor feroz".2

Um clássico da cinematografia mundial, A Estrada da Vida, 1954, do italiano Federico Fellini, inspira Estrada, em 2006. A poética do filme é transposta para o universo da arte popular brasileira, incorporando até mesmo bonecos elaborados por mestres nordestinos.

A peça para o público infantil Tesouro de Balacobaco, de 2007, costura a viagem de três personagens oriundos de distantes lugares do mundo. Eles partem em busca da individualidade, com o desafio de percorrer geografias e culturas de vários países. No fim da jornada, ao encontrar o pássaro guardião da Arca, os três viajantes compreendem o significado da aventura e descobrem qual é o verdadeiro e precioso tesouro. O espetáculo ganha o grande prêmio da crítica da APCA, e é laureado em quatro categorias do Femsa de Teatro Infantil e Jovem de 2007.

Notas

1. NÉSPOLI, Beth. Os Collegas reinventa bastidores da era Collor. O Estado de S. Paulo, 3 maio 2003. Caderno 2, p. D-6.

2. COELHO, Sérgio Salvia. Folha de S.Paulo, 23 fev. 2006. Ilustrada.

Outras informações do grupo Cia. Bendita Trupe:

  • Outros nomes
    • Bendita Trupe (São Paulo, SP)
    • Cia. de Atores Bendita Trupe
    • Companhia de Atores Bendita Trupe

Espetáculos (10)

Artigo sobre Miserê Bandalha

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Teatro  
Data de inícioMiserê Bandalha: 04-02-2006  |  Data de término | 30-04-2006
Resumo do artigo Miserê Bandalha:

Teatro João Caetano (Rio de Janeiro, RJ)

Artigo sobre Piedade

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Teatro  
Data de inícioPiedade: 04-02-2010  |  Data de término | 21-03-2010
Resumo do artigo Piedade:

Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB)

Fontes de pesquisa (5)

  • CIA. Bendita Trupe. Currículo da companhia.
  • COELHO, Sérgio Salvia.  Folha de S.Paulo, 23 fev. 2006. Ilustrada.
  • MATERIAL distribuído à imprensa para divulgação das peças Miserê Bandalha e O Tesouro do Balacobaco.
  • MISERÊ Bandalha. Programas da peça. 
  • NÉSPOLI, Beth. Os Collegas reinventa bastidores da era Collor. O Estado de S. Paulo, 3 mai. 2003. Caderno 2, p. D-6.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CIA. Bendita Trupe. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/grupo449194/cia-bendita-trupe>. Acesso em: 16 de Nov. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7