Artigo da seção grupos O Grivo

O Grivo

Artigo da seção grupos
Artes visuais / teatro  
Data de criação da obra O Grivo: 1990 Local de crição: (Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte)

Histórico
Criado em fins de 1990 pelos músicos Nelson Soares (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1967), e Marcos Moreira (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1967). Nelson Soares estuda percussão no conservatório de música de Belo Horizonte com o músico Laércio Villar e percepção, análise e improvisação musical com Rogério Vasconcelos. Complementa seu aprendizado participando de diversos festivais de inverno da Universidade Federal de Minas (UFMG), que se caracteriza pela experimentação. Marcos Moreira tem formação musical na Fundação de Educação Artística (FEA) e estuda percepção, análise e improvisação musical com Rogério Vasconcelos. Soares e Moreira se conhecem no início do curso de composição da UFMG em 1987 e começam a tocar jazz e improvisar juntos.

Seus trabalhos abrangem trilhas para artistas de diversas mídias, concertos, instalações e performances, com perspectivas de improvisação e utilização de equipamentos eletrônicos em áudio e vídeo. Realizam seu primeiro concerto em Belo Horizonte e iniciam suas pesquisas no campo da “Música Nova”, que tem por objetivo a expansão do universo sonoro pela descoberta de maneiras diferentes de organizar improvisações. Em função da busca por “novos” sons e possibilidades de orquestração e montagem, O Grivo pesquisa fontes sonoras acústicas e eletrônicas, a construção de “máquinas e mecanismos sonoros”, e o uso de instrumentos musicais tradicionais de forma não convencional. Esta pesquisa leva ao contato com objetos e materiais diversos e como se organizam nas montagens do grupo. Realiza também um diálogo com cinema, vídeo, teatro e a dança. A interseção entre as informações visuais e sonoras é o lugar onde se constróem conceitos como textura, organização espacial, sobreposição, perspectiva, densidade, velocidade, repetição e fragmentação

A proposta de um estado de curiosidade contemplativa e as relações dos sons com o espaço são as ideias principais que conformam os trabalhos do grupo. Num primeiro momento, notabiliza-se pelas produções musicais, na forma de trilhas para cinema, vídeo, dança e instalações realizadas para outros artistas, associados à vanguarda das experimentações de linguagem na cidade de Belo Horizonte, nos anos 1990. Com trabalhos para artistas como a DJ Adriana Banana (1973), o coréografo e diretor de dança Alejandro Ahmmed (1971), o cineasta e artista plástico Cao Guimarães (1965), o artista multimídia Lucas Bambozzi (1965), Rivane Neuenschwander (1967), o bailarino e coreógrafo Rodrigo Pederneiras (1955) e a artista plástica Valeska Soares (1957).

O apelo visual de suas instalações, faz com que a dupla seja reconhecida pela qualidade plástica, e não apenas sonora, de suas criações, a partir da exposição Antarctica artes com a Folha (1996). Pela formação musical de seus integrantes, as obras de O Grivo priorizam a sonoridade: a imagem é consequência da dimensão musical. Os percursos sonoros criam  uma nova maneira de ver e ouvir os mecanismos de produção do som. Trabalham a espacialização, a improvisação, a ampliação do repertório de timbres (acústicos, eletrônicos e eletroacústicos), a mecanicidade, a aleatoriedade e o minimalismo [de John Cage (1912-1992) e Morton Feldman (1926-1987)]. De 2001 a 2005, editam os CDs e DVD’s: Retrocesso (2001), Com os Pés um Pouco Fora do Chão (2002), Música para Dança Música Precária (2003) e O Grivo (2005).

Entre os principais trabalhos estão concertos associados a instalações e mostras: It’s Rainning Out There (2008), na South London Gallery, Londres, em colaboração com Rivane Neuenschwander em forma de chuva com variações de timbre, densidade, intensidade e posição espacial; Máquinas sonoras (2008), na 28ª Bienal Internacional de São Paulo, São Paulo, acionadas por músicos ou mecanismos eletrônicos, ocupam o espaço com sons em diferentes frequências, com variações mínimas. Ao redor de 4’33 (2009) com a obra sonora Câmara Anecóica, parceria com Cao Guimarães, referência à obra do compositor e teórico musical John Cage, quando o maestro permanece 4 minutos e 33 segundos em frente à orquestra sem emitir nenhum som na 7ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Shusssssh (2009), em colaboração com Valeska Soares na 9ª Sharjah Bienal, em Sharjah, Emirados Árabes Unidos. Uma onda de sons de “shussssh”, gravadas em alto-falantes ocultos, iniciam silêncios quando há multidões, e perturbam a paz de quem está sozinho. No mesmo ano, realizam a individual O Grivo no Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Composta por aparelhos eletrônicos que captam sons de materiais recicláveis, resulta em obras de arte, com participação do público, ativando as máquinas sonoras. A Galeria Nara Roesler em São Paulo, capital, representa o grupo desde 2009.

Recebe os prêmios Especial do Juri no 25º Salão de Arte de Belo Horizonte (1997) e 4º Prêmio Cultural Sérgio Motta (2003).

Outras informações do grupo O Grivo:

Espetáculos (2)

Exposições (11)

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Fundação Bienal de São Paulo

Fontes de pesquisa (2)

  • GALERIA NARA ROESLER. O Grivo. de 20 jun. a 15 ago. 2015 , Galeria Nara Roesler, São Paulo, 2015. Disponível em: < http://www.nararoesler.com.br/exhibitions/62/ >. Acesso em: 11 abr. 2016.
  • BIENAL de Curitiba. Página do Grupo. Disponível em: < http://bienaldecuritiba.com.br/artistas/o-grivo/ >. Acesso em: 15 dez. 2015.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • O Grivo. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/grupo432849/o-grivo>. Acesso em: 24 de Mai. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7