Artigo da seção grupos Grupo de Teatro Casarão

Grupo de Teatro Casarão

Artigo da seção grupos
Teatro  

Data/Local

1967/1971 - São Paulo SP

Histórico

Ligado ao movimento de contracultura, é um grupo de teatro amador, que vive em comunidade, num casarão antigo no centro de São Paulo, desenvolvendo e pesquisando coletivamente novas formas de teatro popular, em permanente laboratório de experimentação e pesquisa.

O Grupo de Teatro Casarão surge, em 1967, do desmembramento do grupo Os Entusiastas, da Federação de Teatro Amador. Entre seus fundadores estão Hélio Muniz, Waldemar Sillas, Lígia de Paula, Walter Rocha e Douglas Franco. Alugam uma casa situada na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 156, batizada de Casarão, que funciona como sede do grupo e centro aglutinador de idéias e de pessoas. A maior parte dos integrantes vive na comunidade, mas há um fluxo permanente de pessoas que entram e saem do grupo, pois uma das suas propostas é estar aberto a todos os interessados. Alguns integram o grupo sem morar na comunidade. Um deles é César Vieira, líder do futuro grupo União e Olho Vivo, que participa como dramaturgo e diretor de espetáculos.

Depois de reformar a casa e adequar o espaço para apresentações, contando para isso com arrecadações, uma das primeiras preocupações do grupo é organizar aulas gratuitas de teatro, que envolvem dicção, história, direção, expressão corporal, abrindo-as também para pagantes externos ao grupo. Vários profissionais de teatro se oferecem para ministrar cursos, entre eles Celso Nunes, Aziz Bajur, Benê Silva. Quanto ao repertório, pretende-se encenar e incentivar a dramaturgia nacional, com preferência para textos escritos por integrantes do grupo.

Nas apresentações, o acesso do público é livre e gratuito, não havendo bilheteiro ou porteiro na entrada. As sessões, geralmente lotadas, são seguidas por debates com profissionais convidados. Entre os que proferem palestras no Casarão estão Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal, Jefferson Del Rios, Silnei Siqueira, Lauro César Muniz, Sadi Cabral e Celso Nunes. A palestra de Celso, recém-chegado de um estágio na Europa, resulta em um curso patrocinado pela Comissão Estadual de Teatro e que se encerra com a montagem de um trabalho coletivo, O Albergue, improvisação a partir das idéias de Grotowski. Além das apresentações na sede, levam seus espetáculos a escolas, fábricas, igrejas e clubes da periferia da cidade, incentivando e orientando a criação de núcleos teatrais nesses locais.

Tendo como finalidade não somente fazer teatro para o povo, mas também do povo, o grupo incentiva e orienta a criação de núcleos teatrais nesses locais.

O Grupo de Teatro Casarão assim como o União e Olho Vivo e o Teatro Núcleo Independente são exemplos de grupos independentes que surgem na década de 1970 com a preocupação de pesquisar uma linguagem popular e nacional, fazer do trabalho coletivo e da discussão sobre a situação social e política do país uma forma de estabelecer compromissos com a população carente. Além do teatro, o Casarão promove exposições, seminários, shows de música, exibições de curtas-metragens, e recitais de poesia, e faz da convivência entre seus integrantes um permanente laboratório de criação.

Ao longo de sua trajetória, o grupo monta: O Pagador de Promessas, de Dias Gomes, com direção de Hélio Muniz, em 1967; Deus e o Diabo na Terra do Sol, adaptação de Walter Rocha para obra de Glauber Rocha, em 1968; A Revolução Alvinegra, de César Vieira e Regina Maria, direção de Waldemar Sillas, Alguém Late lá Fora, texto e direção de César Vieira, Trágico à Força, de Anton Tchekhov, direção de João Ribeiro Chaves, Pic-Nic no Front, de Fernando Arrabal, direção de Douglas Franco, todos em 1969; O Aniversário do Palhaço, texto e direção de Waldemar Sillas, Corínthias, Meu Amor, texto e direção de César Vieira, Gimba, de Gianfrancesco Guarnieri, direção de Walter Rocha, em 1970, entre outros.

O grupo termina em 1971, com a demolição da casa pela Prefeitura, que planeja construir um acesso à Avenida 23 de Maio a partir da Brigadeiro Luís Antônio, o que não se efetiva. Desalojados da sede comum, alguns integrantes alugam um espaço no Bairro da Previdência e tentam dar continuidade às atividades. Com o nome de O Barraco, o grupo persiste até 1973, encenando nesse período Oração, de Fernando Arrabal, O Imperador Jones, de Eugene O'Neill, Uma Rede para Iemanjá, de Antônio Callado.

Espetáculos (20)

Fontes de pesquisa (3)

  • FRANCO, Douglas. Buscas, tendências e experiências do teatro paulista na década de 70 visando o atendimento de um público popular. São Paulo, 18 jul. 1978. Entrevista concedida a Maria Lúcia Pereira. Acervo IDART/CCSP.
  • MAGALDI, Sábato. Teatro. Jornal da Tarde, São Paulo, p. 17, 11 mar. 1970.
  • PAULA, Lígia de. Buscas, tendências e experiências do teatro paulista na década de 70 visando o atendimento de um público popular. São Paulo, 01 set. 1978. Entrevista concedida a Maria Lúcia Pereira. Acervo IDART/CCSP.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • GRUPO de Teatro Casarão. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/grupo399373/grupo-de-teatro-casarao>. Acesso em: 22 de Jul. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7