Grupos

Grupo de Teatro Mambembe

Outros Nomes: Espaço Cultural Mambembe
  • Análise
  • Histórico

    O Teatro Mambembe é um grupo que busca uma interpretação brasileira, a partir das idéias do escritor e diretor Carlos Alberto Soffredini, líder do grupo, voltada para uma investigação junto as raízes da comédia de costumes e do circo-teatro.

    Os integrantes são agrupados através do Projeto Mambembe, do Serviço Social do Comércio, Sesc, visando uma teatralização da cultura popular brasileira em um palco armado em praças públicas da capital e de cidades do interior. Dirigido por Carlos Alberto Soffredini, o grupo reúne atores que vêm de experiências com amadores de Santos, alguns formandos da Escola de Arte Dramática da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, EAD/ECA/USP, como Flávio Dias, Suzana Lakatos, Wanderley Martins, Rubens Brito e Douglas Salgado, além de Ednaldo Freire e Calixto de Inhamuns, que fazem teatro amador em São Bernardo do Campo. Os artistas plásticos Irineu Chamiso Júnior e Eurico Sampaio, que já participavam da pesquisa de Soffredini em projetos anteriores, ligam-se à área de cenografia do projeto.

    A primeira montagem do grupo, A Vida do Grande Dom Quixote de La Mancha e do Gordo Sancho Pança, financiada pelo Sesc, estréia em 1976 e fica por mais de um ano em cartaz. Todo o espetáculo é desenvolvido a partir de pesquisa de campo sobre o circo-teatro, que envolve os integrantes do grupo durante oito meses de criação, durante os quais assistem aos espetáculos circenses, dedicando especial atenção aos shows de variedades e às apresentações de circo-teatro.

    Com o término do apoio do Sesc, em 1977, as pessoas que se identificam com essa forma de trabalho criam o Grupo de Teatro Mambembe. Montam no mesmo ano A Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente, e O Diletante, de Martins Pena, com adaptação do português arcaico para o corrente, e com a incorporação da linguagem do circo-teatro das revistas musicais brasileiras da virada do século XIX para o XX. Apresentam-se em bairros da periferia, sempre testando a eficiência da linguagem, já que os textos em questão têm origem e destinam-se a um teatro popular. No final desse ano, vários integrantes se desligam do grupo, inclusive Soffredini.

    O Mambembe prossegue com Calixto de Inhamuns, Rosi Campos e Maria do Carmo Soares, já com outra orientação. A partir de 1978 o grupo resolve se inserir em um esquema mais institucionalizado, apresentando-se no circuito comercial para conseguir manter a empresa. Em 1979, o grupo monta mais um Soffredini, Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu, com direção de Iacov Hillel. Alcança ótimos resultados ao aliar o melodrama à comédia, retratando a vida de uma trupe de circo que tem como empresária uma mulher que se nega a modernizar os espetáculos, mantendo-se fiel à tradição. Em 1980, encenam Foi Bom, Meu Bem?, que trata do tema do amor e do sexo através das distorções do aprendizado para um relacionamento. Esse texto de estréia de Luís Alberto de Abreu obtém grande êxito e o autor é novamente convidado a escrever o projeto seguinte, Cala a Boca Já Morreu, de 1981. Nova encenação de texto de Soffredini, Minha Nossa, inaugura o Mambembe Espaço Cultural, na Rua do Paraíso, em 1984.

    Apesar de não apresentar características marcantes da década de 70, como a criação coletiva dos espetáculos e dos textos, o Mambembe está em sintonia com seu tempo na busca de um teatro popular, que procura integrar estilos tradicionais do país a experimentações formais através de um teatro de pesquisa.

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Fontes de Pesquisa

COSTA, Felisberto Sabino da. A dramaturgia nos grupos alternativos no período de 1975 a 1985. São Paulo, 1990. Dissertação (Mestrado). Departamento de Artes Cênicas da Escola de Comunicações e Artes, USP.

FERNANDES, Sílvia. Grupos teatrais: anos 70. São Paulo: Unicamp, 2000.

FOI BOM, MEU BEM? São Paulo, 1980. 1 folder. Programa do espetáculo, apresentado em 1980.