Artigo da seção grupos Grupo Universitário de Teatro

Grupo Universitário de Teatro

Artigo da seção grupos
Teatro  

Data/Local

1943/1947 - São Paulo SP

Histórico

Grupo criado dentro da Universidade de São Paulo sob a direção artística de Décio de Almeida Prado, é uma das raízes do Teatro Brasileiro de Comédia, juntamente com o Grupo de Teatro Experimental, de Alfredo Mesquita.

Com o patrocínio do Fundo Universitário de Pesquisa surge, em 1943, por iniciativa do reitor Jorge Americano, um grupo teatral ligado à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo - USP. A presidência do conjunto cabe a Décio de Almeida Prado, a vice-presidência a Carlos Lacerda, com assistência de Lourival Gomes Machado, e a cenografia a Clóvis Graciano. O grupo apresenta um repertório formado preferencialmente por peças escritas em língua portuguesa.

A estréia dá-se ainda em 1943, com um espetáculo composto por Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente; O Irmão das Almas, de Martins Pena, e Pequenos Serviços em Casa de Casal, de Mário Neme. A realização conta com Cacilda Becker que, já profissionalizada, colabora com o grupo, cujo elenco inclui Irene Bojano, Augusto Fisal, Caio Cayubi, Carlos Falbo, Douglas Michalany, Gastão Gorenstein, Sônia Coelho, Hamilton Ferreira, Luciano Centofant, Salim Belfort, Tito Fleury e Waldemar Wey. Ruy Coelho, posteriormente professor emérito de sociologia da arte e da literatura trabalha como ponto do conjunto; os cenários e figurinos são do pintor Clóvis Graciano e o maquiador da equipe é Ronald Eagling, um inglês ligado aos English Players.

Fora de São Paulo, o conjunto apresenta-se em cidades do interior, acompanhado do próprio reitor e de alguns professores, como André Dreyfus e Jaime Regalo, que divulgam e explicam o Fundo de Pesquisa.

Evidenciando sua irreverência para com Décio de Almeida Prado e Lourival Gomes Machado ligados à revista Clima, Oswald de Andrade comenta: "Os chato-boys estão de parabéns. Eles acharam o seu refúgio brilhante, e sua paixão vocacional, talvez. É o teatro. Funcionários tristes da sociologia, quem havia de esperar desses parceiros dum cômodo sete-e-meio do documento aquela justeza grandiosa que souberam imprimir ao Auto da Barca de Gil Vicente, levado à cena em nosso teatro principal? Honra aos que tiveram a audaciosa invenção de restaurar no palco um trecho do Shakespeare lusitano, com os elementos nativos que possuíam. Os Srs. Décio de Almeida Prado, Lourival Gomes Machado e Clóvis Graciano, secundados pela pequena troupe universitária, ficam credores de nossa admiração por terem realizado diante do público um dos melhores espetáculos que São Paulo já viu".1

Numa segunda temporada, em 1945, ao espetáculo Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente, é anexado um trecho de A Farsa do Escudeiro - geralmente conhecida como Quem Tem Farelos? Estréia, no mesmo ano, no Theatro Municipal, num programa complementado por uma peça de Carlos Lacerda, Amapá, que aborda a presença dos norte-americanos no norte do país.

Não tendo encontrado um original brasileiro adequado ao que pretendia apresentar, o Grupo de Teatro Universitário - GTU, em 1947, opta por encenar O Baile dos Ladrões, de Jean Anouilh, prosseguindo em seu intento de fazer um teatro de alta qualidade e direcionado a um público intelectualmente exigente. Com a fundação do Teatro Brasileiro de Comédia - TBC, em 1948, parte do grupo é absorvido pelo profissionalismo.

O historiador Gustavo Dória, ressalta a importância do GUT: "A atividade desenvolvida pelo GUT foi das mais proveitosas, pois que além de excursionar por diversas cidades do interior do Estado, divulgou ele um repertório de grande objetividade, não somente como qualidade mas principalmente capaz de atrair e conquistar novas platéias".2

Notas

1. ANDRADE, Oswald. Ponta de Lança. São Paulo, Ed. Globo, 1991, Obras Completas, p.86.

2. DÓRIA, Gustavo. Moderno teatro brasileiro: crônica de suas raízes. Rio de Janeiro: Serviço Nacional de Teatro, 1975. p. 108.

Outras informações

  • Outros nomes
    • GUT

Espetáculos (13)

Fontes de pesquisa (5)

  • GUZIK, Alberto. TBC: crônica de um sonho. São Paulo: Perspectiva, 1986. 233 p.
  • GUZIK, Alberto; PEREIRA, Maria Lúcia (Org.). Teatro Brasileiro de Comédia. Dionysos, Rio de Janeiro, n. 25, set. 1980. Edição especial.
  • FARIA, João Roberto (org.); ARÊAS, Vilma (org.); AGUIAR, Flávio (org.). Décio de Almeida Prado: um homem de teatro. São Paulo: Edusp, 1997. 443 p., il. p&b.
  • MESQUITA, Alfredo. Origens do teatro paulista. Revista da Escola de Comunicações e Artes, São Paulo, n. 1, 1967.
  • PRADO, Décio de Almeida. Depoimento. In: DEPOIMENTOS II. Rio de Janeiro: Serviço Nacional de Teatro, 1977.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • GRUPO Universitário de Teatro. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/grupo399364/grupo-universitario-de-teatro>. Acesso em: 27 de Mar. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7