Artigo da seção grupos Universidade Federal de Minas Gerais. Teatro Universitário (Belo Horizonte)

Universidade Federal de Minas Gerais. Teatro Universitário (Belo Horizonte)

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Teatro  

Histórico
O Teatro Universitário da Universidade Federal de Minas Gerais é uma escola de formação de atores de nível técnico que desde sua fundação exerce um importante papel na preparação técnica e estética de várias gerações de artistas mineiros.

Com direção do italiano Vicenzo Spinelli, professor de literatura italiana da então Faculdade de Filosofia, o Teatro Universitário (TU) inicia suas atividades em 1952. Na época, embora ainda não se configure como curso regular, o que ocorre em 1957, já apresenta como objetivos a formação do intérprete e a realização de apresentações públicas de espetáculos. Com o TU, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) dá continuidade, ao lado de outras instituições, à implantação de teatros universitários no Brasil, fenômeno desencadeado a partir da criação do Teatro do Estudante do Brasil (TEB), em 1938, por iniciativa de Paschoal Carlos Magno.

No período inicial, o Teatro Universitário é dirigido sucessivamente por Jean Bercy, em 1956, Carlos Kroeber, em 1957, e Giustino Marzano. Marzano, italiano formado pela Real Academia de Teatro de Roma, assume a direção do TU de 1957 a 1960, imprimindo ao teatro mineiro padrões de produção muito elevados. A montagem de Crime na Catedral, de T. S. Elliot, em 1958, coloca a produção universitária mineira no mesmo nível do que se fazia de melhor no teatro profissional no Brasil na época e tem grande impacto na cidade pelo requinte da encenação. No entanto, a dívida contraída para a realização do espetáculo gera dissidência na diretoria, da qual se afastam, nesse ano, os também atores e alunos do curso Jota Dangelo (diretoria administrativa), Carlos Kroeber (presidência) e João Marschner (secretaria), que, em 1959, fundam o Teatro Experimental.

Em 1961, por indicação do crítico Sábato Magaldi, a direção do Teatro Universitário é entregue a Haydée Bittencourt, formada no Royal Theater de Londres e professora da Escola de Arte Dramática (EAD), de Alfredo Mesquita, em São Paulo. Na ocasião, reintegram-se ao curso os fundadores do Teatro Experimental. Jota Dangelo, ao concluir seus estudos em 1962, é convidado a ministrar aulas de interpretação, nas quais coloca em prática procedimentos baseados nas propostas do diretor russo Constantin Stanislavski.

Haydée Bittencourt estrutura o curso de formação de atores, estabelecendo uma grade curricular que serve de modelo para o Ministério da Educação e Cultura (MEC) criar a resolução que estabelece as matérias básicas para os cursos profissionalizantes da área, na década de 1980. Nos 24 anos em que permanece na instituição, Haydée tem atuação fundamental, contribuindo para a definição dos rumos da criação cênica em Belo Horizonte e em todo o estado de Minas Gerais. Por meio dos mais de trinta espetáculos que dirige no TU, ela forma várias gerações de atores, com técnica apurada e conhecimento aprofundado em sua especialização, consolidando assim o perfil do curso. Realiza montagens de peças importantes da dramaturgia nacional e internacional, como O Pagador de Promessas, de Dias Gomes, em 1962; Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, em 1963; As Três Irmãs, de Anton Tchekhov, em 1967; O Tartufo, de Molière, em 1969; O Futuro Está nos Ovos, de Eugène Ionesco, em 1970; As Feiticeiras de Salém, de Arthur Miller, em 1974; Vereda da Salvação, de Jorge Andrade, em 1975. Além disso, Haydée Bittencourt cerca-se de profissionais de renome para compor o corpo docente da escola, do qual fazem parte Klauss Vianna, Francisco Pontes de Paula Lima, João Etienne Filho, Ítalo Mudado, Carlos Leite e Otávio Cardoso.

Em 1977, o TU torna-se um órgão complementar da universidade, vinculado formalmente à pró-reitoria de extensão da UFMG. Embora garanta um lugar institucional ao TU, o vínculo estabelecido não corresponde exatamente às atividades realizadas pela escola, uma vez que o curso oferecido, com reconhecimento do MEC, é voltado para a formação de atores de nível técnico e não exatamente para atividades de extensão universitária.

Essa condição permanece até 2007, quando é criada a Escola de Educação Básica e Profissional, uma unidade especial na UFMG que integra o Centro Pedagógico, o Colégio Técnico e o Teatro Universitário. Esse novo status institucional condiz melhor com a atuação do TU, que além de ser um curso de formação de atores de nível técnico realiza atividades de pesquisa e extensão e parcerias com outras unidades da UFMG.

O TU mantém parceria com a Faculdade de Direito no Projeto Pólos Reprodutores de Cidadania, que atua socialmente nas comunidades de Belo Horizonte na construção de práticas ampliadas de cidadania. A Trupe a Torto e a Direito, formada por alunos das faculdades de direito, psicologia e do TU, desde 1997, cria e apresenta peças teatrais e esquetes curtos com temáticas relacionadas aos direitos humanos, com coordenação do professor Fernando Limoeiro.

Pelo Centro de Extensão (Cenex), o TU oferece cursos e oficinas de iniciação e aprofundamento em diversas áreas, como, por exemplo, interpretação teatral, teorias do teatro, arte educação, com profissionais de renome no campo das artes. O Centro de Produção e Documentação do Teatro Universitário da UFMG (CPD/TU) - projeto de pesquisa coordenado pela professora Maria Clara Lemos desde 2007 - atua nos setores de figurino, cenário, iluminação e acervos iconográficos (imagens fotográficas e audiovisuais) com o intuito de preservar a memória e o acervo da instituição, além de disponibilizá-lo para uso não apenas do corpo docente e discente da universidade, mas também do público.

O TU possui a Biblioteca Haydée Bittencourt, especializada em teatro, com uma coleção de 45 periódicos nacionais e internacionais, e mais de 5 mil títulos, graças a doações feitas pelas famílias dos professores Francisco Pontes de Paula Lima e João Etienne Filho. Em 2009, o acervo da biblioteca Paula Lima é restaurado para ser aberto à consulta pública.

No conjunto de professores e funcionários do TU, desde sua criação, figuram profissionais de reconhecida atuação no teatro mineiro, entre eles Antônio Kattah, Wenceslau Coimbra, Francisco Pontes de Paula Lima, Fernando Linares, Fernando Limoeiro, Myriam Tavares, Fernando Mencarelli, Ângela Mourão, além de diretores responsáveis pelas montagens de formatura como Kalluh Araújo, Carlos Rocha, Cida Falabella, João das Neves e Paulo César Bicalho, aluno do TU na década de 1960.

Os espetáculos de formatura do TU mantêm um caráter de investigação das formas de expressão cênicas, tanto do ponto de vista da atuação quanto da estrutura da encenação, da reflexão proposta, e da utilização de novos espaços. A escola tem privilegiado a direção dos próprios professores e a integração do corpo docente no processo de montagem, embora muitas vezes conte com a participação de diretores convidados. Os atores formados pelo TU ocupam papel expressivo no contexto das produções locais, caracterizando-se em geral pela visão crítica e a qualidade técnica de seus trabalhos.

Ex-alunos do TU formam hoje um corpo significativo no conjunto dos profissionais de destaque no teatro, no cinema e na televisão brasileiros. Nomes como os de Jonas Bloch, Neville de Almeida, Alcione Araújo, Aziz Bajur, Rodrigo Santiago, Edmar Pereira, Eid Ribeiro, Neusa Rocha, Ezequiel Neves, Mamélia Dorneles, Maria Olívia, Antonio Edson (integrante do Grupo Galpão), Edílson Botelho, Adyr Assumpção, Maurício Tizumba, Gorete Milagres, Maria Beatriz Mendonça, Carlos Gradim (diretor da Odeon Companhia Teatral) formam uma cadeia de gerações sucessivas que contribuem para delinear os rumos da criação teatral local e nacional. Grupos de teatro atuantes na cultura da cidade de Belo Horizonte nos anos 2000, tais como a Cia Acômica, a Cia. Circunstância, a Trupe Maria Cutia, e o (quatroloscinco) Teatro do Comum, possuem em seu elenco atores formados no Teatro Universitário.

Em 2009, o curso transfere sua sede do antigo "coleginho", um casarão do bairro Santo Antônio, tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal, para o campus da UFMG. Mesmo desenvolvendo atividades de pesquisa e extensão, o foco principal do Teatro Universitário é a formação do ator. Fernando Limoeiro, diretor do TU, em 2009, e professor de interpretação da instituição, aponta como metas do curso: "Dotar o ator de técnicas que ampliem sua expressividade, afinar o corpo e a voz, tornar sua inteligência e a imaginação abrangentes e prepará-lo conscientemente para o palco e para intervir no seu tempo".1

Nota
1 LIMOEIRO, Fernando. Não existe idade para o sonho. Texto comemorativo dos 50 anos do Teatro Universitário. Disponível em: [http://cpdtu.blogspot.com/2009_04_01_archive.html]. Acesso em: out. 2009.

Outras informações do grupo Universidade Federal de Minas Gerais. Teatro Universitário (Belo Horizonte):

  • Outros nomes
    • Teatro Universitário da UFMG (Belo Horizonte, MG)
    • UFMG. TU (Belo Horizonte, MG)

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Eventos relacionados (1)

Fontes de pesquisa (1)

  • LIMOEIRO, Fernando. Não Existe Idade para o Sonho. Texto comemorativo aos 50 anos do Teatro Universitário. Disponível em: [http://cpdtu.blogspot.com/2009_04_01_archive.html]. Acesso em: outubro 2009.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • UNIVERSIDADE Federal de Minas Gerais. Teatro Universitário (Belo Horizonte). In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/grupo385257/universidade-federal-de-minas-gerais-teatro-universitario-belo-horizonte>. Acesso em: 03 de Jun. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7