Artigo da seção grupos Armatrux

Armatrux

Artigo da seção grupos
Teatro  

Data/Local

1991 - Belo Horizonte MG

Histórico
Grupo teatral que se caracteriza pela pesquisa da linguagem circense, formas animadas, música, dança, teatro físico e teatro de rua, o Armatrux realiza espetáculos para o público adulto e infantil, boa parte deles apresentada em espaços alternativos.

O Armatrux,  fundado em Belo Horizonte, em 1991, pelos atores Paula Manata, Paulo Sérgio Cavalcanti, Ricardo Macedo, Inês Gastelois e pelo diretor e bonequeiro Paulinho Polika, cria nesse ano seu primeiro espetáculo, Acorda Aderbal, que é apresentado em ruas e praças da cidade, com recursos simples e forte apelo circense.

Acorda Aderbal surge no âmbito da Escola Tangran, criada nos anos 1980 e dirigida por Paulinho Polika e Lelena Lucas, entre outros. Segundo Paula Manata, uma das fundadoras do grupo: "A escola Tangran foi precursora de uma escola de artes integradas, com música, dança, bonecos, atuação [...]. A proposta era oferecer uma formação a partir das interfaces entre estas artes. Esta proposta acompanha o Armatrux até os dias de hoje".1

A Escola do Giramundo, por onde passam todos os componentes do grupo, oferece-lhes subsídios para a criação, confecção e manipulação de bonecos. Os Românticos, de 1992, põe em cena uma banda de bonecos, com músicas compostas por Samuel Rosa e gravadas pelo grupo Skank. Em 1993, o Armatrux apresenta Acorda, Aderbal no Circo Voador, no Rio de Janeiro, e em outras cidades do Brasil, e conquista, em Belo Horizonte, uma estrutura de trabalho pouco comum, nos anos 1990, para um grupo teatral.

Uma crise instala-se no Armatrux em 1996. Vários membros fundadores saem do grupo, permanecendo Paula Manata e os atores recém-chegados Eduardo Machado e Andrea Caruso. A crise coincide com a montagem para a rua de Esperando Godot. O espetáculo tem uma recepção menos calorosa que os anteriores. "No Esperando Godot, as pessoas amavam ou não gostavam nada, não tinha meio termo. É uma obra mais densa. Foi ousado na época montar o texto para a rua. Não havia muitos recursos técnicos como, por exemplo, microfones sem fio",2 lembra Paula Manata.

E, com a saída de Polika, o grupo passa a trabalhar com diretores convidados, diversificando sua formação técnica e linguagem artística. Assim, a convite, o diretor Gabriel Guimard - recém-chegado da França, onde havia trabalhado com a Cie. Philippe Genty - dirige o espetáculo O Cortejo, em 1996. No ano seguinte, ele assina a direção de Andarilhos do Repente, espetáculo que o diretor retoma, em 2005, numa versão com formas animadas, intitulada Andarilhos do Repente - Bonecos na Estrada.

Andrea Caruso dirige, em 2001, dois espetáculos, Liliputz e Invento para Leonardo, e a exposição interativa Pequenas Construções Cênicas. Com Invento para Leonardo, o Armatrux ganha em 2002 o Prêmio E-2: Exploring the Urban Condition, na França, na categoria melhor projeto de palco. Devido às dificuldades de adaptação do espetáculo para outros espaços, apesar da boa recepção, a montagem não tem uma trajetória longa. O espetáculo é resultado de uma parceria com o arquiteto Carlos Teixeira e com a coreógrafa Adriana Banana com base na proposta de ocupação de espaços vazios de Belo Horizonte. Contendo formas animadas - grandes troncos, membros e cabeças que exploram a anatomia humana e seus movimentos no espaço -, Invento para Leonardo explora a relação entre a cidade e o sujeito. O espaço escolhido para a encenação situa-se entre os pilares de sustentação de prédios residenciais no bairro Buritis, onde, por causa da topografia acidentada, as edificações têm grandes - e aparentes - fundações de concreto.

Rodrigo Robleño dirige dois espetáculos do grupo: Fósforos Pegam Fogo Mesmo, em 2002, e Le Maître de la Fenêtre, em 2003, utilizando em ambos as técnicas do clown.

Em 2004, o Armatrux participa do projeto Cena 3x4 do Galpão Cine Horto em parceria com A Maldita Cia. Teatral, aprofundando-se no processo colaborativo, que, sob a direção de Cristiana Brandão, resulta no espetáculo Nômades. Essa montagem dá continuidade à proposta de ocupação de espaços vazios da cidade iniciada com Invento para Leonardo. Em Nômades, o público é convidado a deslocar-se pelo espaço em cenas itinerantes.

De Banda pra Lua, 2007, dirigido por Eid Ribeiro, marca a volta do grupo aos palcos, depois de anos apresentando-se na rua e em espaços alternativos. A montagem recebe o Prêmio Cena Minas - Formação de Público, em 2007 e 2008. Desde 2006, o Armatrux trabalha com o diretor Eid Ribeiro, visando ao aprofundamento nas técnicas de formação do ator.

A partir de 2003, com Armatrux, a Banda, o grupo aposta também em direção coletiva e em direção realizada por integrantes do elenco. Eduardo Machado e Raquel Pedras assinam Pé de Valsa, em 2005, e o grupo estreia outros dois espetáculos, Parangolé, com direção do Armatrux, e Gastrono-Mico, de Eduardo Machado, em 2008.

O grupo está sob a coordenação artística dos atores Paula Manata, Eduardo Machado, Tina Dias, Cristiano Araújo e Raquel Pedras, mantém uma oficina de bonecos, cenários e objetos de cena, coordenada por Leandro Marra, e conta com uma equipe de produção e administração. O Armatrux apresenta algumas características comuns a outros grupos teatrais de sua geração na capital mineira: a união de artistas-criadores em um coletivo que lhes permite não apenas a sobrevivência financeira, mas também o aprofundamento técnico e artístico por meio do intercâmbio com outros artistas nacionais e estrangeiros; o entendimento da montagem de um espetáculo não somente como um lugar para a criação, mas também para a pesquisa e a formação; a escolha da rua e de espaços alternativos, contribuindo para a democratização do teatro e a conquista de público. Realiza também curtas-metragens, vídeos educativos e oficinas para professores e artistas.

Sobre a fortuna crítica do grupo, Paula afirma: "Ninguém faz crítica do Armatrux. Talvez porque exista um grande preconceito em relação ao teatro infantil. As pessoas que têm um olhar para este teatro são educadores e outros artistas que trabalham na área. [...] Apesar do repertório do Armatrux ser dividido meio a meio entre espetáculos infantis e adultos, os espetáculos infantis é que conseguem circular e manter o grupo, por isso acabamos sendo associados a este tipo de trabalho".3

Em novembro de 2008, realiza-se a festa da Cumeeira da C.A.S.A., marcando a primeira inauguração do espaço, ainda em obras, que abrigará a sede conjunta da Armatrux e da Cia. Suspensa, em Nova Lima, Minas Gerais. No local, os grupos pretendem realizar ensaios, cursos, oficinas e apresentações de espetáculos.

Notas
1. MANATA, Paula. A Trajetória do Grupo de Teatro Armatrux. Belo Horizonte, 18 de novembro de 2008. (inédito). Entrevista concedida a Mariana Muniz. p. 01.

2. Idem. p. 03.

3. Idem.

Outras informações do grupo Armatrux:

  • Outros nomes
    • Grupo de Teatro Armatrux (Belo Horizonte, MG)

Espetáculos (14)

Fontes de pesquisa (4)

  • ARAÚJO, Cristiano. Inventos para Leonardo e Nômades. Belo Horizonte, 26 de janeiro de 2009. (inédito). Entrevista concedida a Mariana Muniz.
  • GRUPO DE TEATRO ARMATRUX. Site oficial do grupo. Belo Horizonte, 2008. Disponível em: [http://www.armatrux.com.br/]. Acesso em: 20 nov. 2008.
  • GRUPO de Teatro Armatrux. [Currículo]. Enviado pelo grupo em 15 de novembro de 2008 e em 27 de janeiro de 2009.
  • MANATA, Paula. A Trajetória do Grupo de Teatro Armatrux. Belo Horizonte, 18 de novembro de 2008. (inédito). Entrevista concedida a Mariana Muniz.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ARMATRUX . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/grupo384888/armatrux>. Acesso em: 25 de Jun. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7