Artigo da seção grupos Cia. Acômica

Cia. Acômica

Artigo da seção grupos
Teatro  
Data de criação da obra Cia. Acômica: 1995 Local de crição: (Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte)

Histórico

Companhia teatral criada em 1995 por um grupo de ex-alunos do Teatro Universitário da Universidade Federal de Minas Gerais, a Acômica distingue-se pela permanente pesquisa sobre a preparação psicofísica do ator e suas resultantes cênicas.

Antes da primeira montagem, o grupo, então formado por Fábio Furtado, Luiz Lerro e Raquel de Albergaria, integra as oficinas-laboratório de preparação corporal do ator-bailarino Geraldo Vidigal, ministradas no Teatro Universitário da Universidade Federal de Minas Gerais - TU/UFMG.

Em 1995, Furtado participa de uma oficina sobre a biomecânica de Meyerhold, oferecida no Festival Internacional de Teatro Palco & Rua - FIT, em Belo Horizonte, por Maria Thaís, diretora e pedagoga. Esse trabalho com Maria Thaís é fundamental para a Acômica, que decide aliar os pressupostos da biomecânica com as técnicas da Capoeira Angola, praticada por Furtado com Mestre Primo, do grupo Yuna, de Belo Horizonte. Alguns movimentos básicos do corpo nos jogos da capoeira são mesclados aos princípios de mobilidade espacial, transferência e deslocamentos de peso dos exercícios de Meyerhold.

Sem espaço próprio para ensaios, sem sede e sem patrocínio, a Acômica inicia as atividades para a realização de seu primeiro espetáculo, As Criadas, de Jean Genet, que estreia em agosto de 1996, com direção de Raquel de Albergaria. Fazem parte do elenco  Furtado, Serro e Eliseu Custódio.

A preparação da montagem é dividida em duas etapas: a primeira é dedicada ao estudo da obra de Genet, com orientação do professor Pontes de Paula Lima, do TU. A segunda etapa dá-se em trabalho de campo realizado em três locais preferenciais: residências, bares gays e prostíbulos. O foco é a observação das relações de poder entre patrões e empregados, traduzida numa precisa notação de gestos, movimentos corporais e timbres que caracterizam diferentes momentos e situações. Numa etapa posterior, as observações e notações são sistematizadas coletivamente pelo grupo, em exercícios corporais e vocais, que alimentam também o trabalho com o texto.

Nesse mesmo período a Acômica encontra um outro universo de preparação técnica: a mímica corporal dramática de Etienne Decroux, ensinada ao conjunto por Ana Teixeira e Stéphane Brodt, do grupo Amok Teatro, do Rio Janeiro. Em 1996, a Acômica promove um curso de dois meses com o Amok, em que são estudadas as máscaras balinesas e a mímica corporal dramática de Decroux. Maria Thaís observa: "Elegeram, como instrumento dessa formação, o aprimoramento da expressão do corpo do ator. Elegeram também, na escolha das técnicas que servem de base para o treinamento, explorar elementos técnicos abertos, como a capoeira, a biomecânica e a mímica corporal dramática. [...] Nas técnicas escolhidas, a expressão do ator não é um fim, mas um meio, um instrumento para a constituição da linguagem espetacular".1

As dificuldades financeiras dos primeiros anos acarretam grande flutuação na composição do elenco. Ingressam e saem do grupo, entre 1997 e 1999, Renata Jacques, Eliseu Custódio e Cláudia Harmes. Raquel de Albergaria, uma que participa da fundação do grupo, desliga-se em 1999, e entra Nelson Bambam Jr.

O projeto da montagem infanto-juvenil, Anjos e Abacates, que estreia em 1999, nasce da necessidade do grupo de prover a subsistência dos atores. Nesse projeto, uma série de parcerias é realizada com sucesso, com texto de Eid Ribero, direção de Kalluh Araújo e participação do Giramundo. Com Anjos e Abacates, conquista, em 2000, o Prêmio Coca-Cola no Teatro nas categorias de melhor autor e maquiagem e o Prêmio Amparc/Bonsucesso de Artes Cênicas, na categoria iluminação.

Estreia em agosto de 2001, no Galpão Cine Horto o espetáculo Lusco-Fusco ou Tudo Muito Romântico, com o qual a Acômica viaja pelo país e participa do 14º Festival Internacional de Caracas. Com dramaturgia de Eid Ribeiro e de Marcus Tafuri, inspirada no texto Profundo, de José Ignacio Cabrujas, a trupe realiza uma síntese de seus princípios de trabalho. Sobre o espetáculo, em sua apresentação no Festival Internacional de São José do Rio Preto, São Paulo, escreve o crítico Sérgio Sálvia Coelho: "A inteligência da encenação de Eid Ribeiro é particularmente clara. Como nos melhores espetáculos, no entanto, são os atores que garantem a viabilidade do projeto. O espetáculo mantém uma instigante tensão entre a angústia lírica becketiana e a crueldade hilariante do clown, e prova o quanto Minas Gerais está maduro no campo do teatro experimental".2

Segundo o ator Luiz Lerro, é neste período que a Acômica "define três tópicos fundamentais à sua dinâmica de trabalho: 1) improvisação como processo de criação dos personagens; 2) estrutura pedagógica destinada à educação psicofísica do artista-ator; 3) produção e execução de eventos culturais".3

Em 2003, a companhia aluga um galpão no Bairro São Geraldo, que passa a ser a sede da Acômica para ensaios e guarda de material. No ano de 2008, ganha o Prêmio Cena Minas para manutenção e adequação do espaço de sua sede.

A companhia entra no projeto Cena 3x4, do Galpão Cine Horto/Cia Maldita, em 2004, e cria um espetáculo de improvisação, Arena de Tolos, com direção de Rodrigo Campos e dramaturgia de Jória Lima, e ambos, diretor e dramaturga, também improvisam em cena. A partir desse ano, a Acômica desenvolve o projeto Rede Teia, Núcleo de Investigação Teatral, com patrocínio da Usiminas, em que oferece anualmente ampla atividade formativa a grupos do interior de Minas Gerais, com oficinas, projetos de criação e mostra de espetáculos.

Em 2006, Lerro, um de seus fundadores, sai da companhia para realizar estudos de pós-graduação em teatro na Universidade de Bolonha, Itália. E Fábio Furtado dirige o espetáculo O Sexo não Floresce na Monotonia, inspirado em textos de Anaïs Nin, com as atrizes convidadas, Rita Gusmão e Silvana Stein. Furtado sai da Acômica em 2008, mantendo-se apenas no elenco dos espetáculos em repertório, de Nelson Bambam Jr. e Cláudio Márcio, que está no grupo desde 2003.

Notas

1. SANTOS, Maria Thaís Lima. Dos encontros, das perguntas, das incertezas: trajetória de uma companhia de atores Brasil. In: MENCARELLI, Fernando e ROJO, Sara (org.). Cia Acômica na sala de espelhos. Belo Horizonte: Cia Acômica, 2007, p. 57.

2. COELHO, Sérgio Sávio. Folha de São Paulo, São Paulo, 22 de jul. de 2004.

3. LERRO, Luiz. A Companhia Acômica. In: MENCARELLI, Fernando e ROJO, Sara (org.). Cia Acômica na sala de espelhos. Belo Horizonte: Cia Acômica, 2007, p. 21.

Outras informações do grupo Cia. Acômica:

  • Outros nomes
    • Cia Acômica
    • Companhia Acômica

Espetáculos (5)

Eventos relacionados (1)

Fontes de pesquisa (2)

  • COELHO, Sérgio Sávio. Folha de S.Paulo, São Paulo, 22 de jul. de 2004.
  • MENCARELLI, Fernando e ROJO, Sara (org.). Cia Acômica na sala de espelhos. Belo Horizonte: Cia Acômica, 2007.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CIA. Acômica. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/grupo348017/cia-acomica>. Acesso em: 22 de Jul. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7
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