Artigo da seção grupos Casa das Artes de Laranjeiras

Casa das Artes de Laranjeiras

Artigo da seção grupos
Teatro  

Histórico
A CAL - Casa das Artes de Laranjeiras, fundada em 1982, no Rio de Janeiro, é uma escola particular que oferece curso profissionalizante de interpretação, cursos livres, e produz espetáculos com alunos sob a direção de profissionais convidados.

A CAL é a primeira escola particular do Rio de Janeiro a usar a regulamentação da profissão de ator, de 1978, para criar um curso profissionalizante. Fundada por Eric Nielsen e Gustavo Ariani, com a colaboração de um grupo de artistas de teatro - entre eles, Sergio Britto, Glorinha Beuttenmüller, Aderbal Freire-Filho - sob a coordenação de Yan Michalski. A escola busca tanto oferecer uma formação técnica de qualidade quanto colocar o aluno em contato com artistas que possam propor renovações ao panorama teatral carioca, por meio das montagens de formatura.

Dirigida desde a sua fundação por Eric Nielsen e Gustavo Ariani, a escola conta, desde 1992, com a coordenação de Hermes Frederico. A coordenação do Núcleo de Teatro e TV para Adolescentes e Crianças está a cargo de Alice Reis. A CAL constitui-se como escola de formação e treinamento de mão-de-obra artística. Inicialmente aceitando seis turmas por ano, amplia suas dependências e seu quadro de professores para comportar três turnos e realiza de seis a oito montagens anuais com as turmas de formandos.

Para os diretores convidados, a montagem com uma das turmas representa muitas vezes a possibilidade de trabalhar com um grande elenco e, por isso, desengavetar um projeto longamente acalentado, difícil de realizar em uma produção profissional, quando o mercado reduz cada vez mais os elencos. Por ocasião da montagem do texto Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come, de Oduvaldo Vianna Filho, 1989, o diretor Amir Haddad concede uma entrevista ao jornal O Globo, em que define o processo de ensaios dizendo "tudo é muito ágil, passamos de um espaço para o outro com muita liberdade. São 36 atores fazendo 120 personagens".1

Além de textos da dramaturgia brasileira e universal, os espetáculos de formatura também comportam eventualmente experiências cênicas originadas da criação coletiva ou da literatura, como Idéias e Repetições - um Musical de Gestos, roteiro e direção de Bia Lessa, 1986, a partir da obra de Lygia Bojunga. O crítico Macksen Luiz escreve sobre o espetáculo: "Na montagem, Bia aproveita os diversos alçapões do palco do Teatro do Sesc da Tijuca para transformá-los em entradas e saídas do jovem elenco, sempre perseguindo uma chegada ou partida. A intensa movimentação é o tom sob o qual a montagem está impostada. [...] As concepções da diretora servem aos propósitos da montagem, já que foi criada para a turma de alunos formandos da Casa das Artes de Laranjeiras. O elenco é trabalhado como se fosse um coro e, desta forma, as eventuais deficiências se diluem, mas é possível detectar valores individuais, com material potencialmente rico. [...] Para quem procura no teatro uma linguagem não linear, que gosta de ver num palco formas cênicas tratadas como categorias estéticas, mas que nem por isso abdica do prazer e da emoção, Idéias e Repetições - um Musical de Gestos propõe um mergulho revigorante na magia do confronto teatral".2

Entre os espetáculos montados pela escola, destacam-se A Mãe, de Bertolt Brecht, direção de João das Neves, com Lélia Abramo como atriz convidada, 1985; Ataca, Felipe!, de Artur Azevedo, direção de Luis Antônio Martinez Corrêa, 1986; Heliogábalo, o Anarquista Coroado, de Antonin Artaud, direção de Maurício Abud, 1987; Viva o Cordão Encarnado, de Luiz Marinho, direção de Luiz Mendonça, 1992; Graal: Retrato de um Fausto Quando Jovem, de Haroldo de Campos, encenação de Gerald Thomas, 1997, e Um Ensaio Sobre Homem e Super-Homem, de Bernard Shaw, adaptação de Amir Harif, direção de Gilberto Gawronski, 2005.

Notas
1. LARANJEIRA, Artur. Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come. O Globo, Rio de Janeiro, 16 de março de 1989.

2. LUIZ, Macksen. Chegadas e Partidas. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 25 de março de 1986.

Outras informações do grupo Casa das Artes de Laranjeiras:

  • Outros nomes
    • CAL
    • Casa das Artes de Laranjeiras (Rio de Janeiro, RJ)
    • Casa de Artes Laranjeiras (Rio de Janeiro, RJ)
    • Espaço Yan Michalski

Espetáculos (115)

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Fontes de pesquisa (4)

  • CASA das Artes de Laranjeiras. Disponível em: [http://www.cal.com.br]. Acesso em: 02/05/2007. 
  • FREDERICO, Hermes (coord.). Casa das Artes de Laranjeiras. Coordenação editorial Arnaldo Marques; texto Patricia Boueri, Marisa Bastos, Lília Coelho, Alice Reis; fotografia da capa Silvio Pozatto; apresentação Eric Nielsen, Gustavo Ariani. Laranjeiras: Ao Livro Técnico, [199-]. 96 p., il. p&b.
  • LARANJEIRA, Artur. Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come. O Globo, Rio de Janeiro, 16 mar. 1989.
  • LUIZ, Macksen. Chegadas e Partidas. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 25 mar. 1986.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CASA das Artes de Laranjeiras. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/grupo208162/casa-das-artes-de-laranjeiras>. Acesso em: 16 de Jan. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7