Artigo da seção grupos Parlapatões, Patifes & Paspalhões

Parlapatões, Patifes & Paspalhões

Artigo da seção grupos
Teatro  

Data/Local
1991 - São Paulo SP

Histórico
Grupo paulistano que emprega técnicas circenses e de clowns, voltados à sátira, ao deboche, às origens da comicidade e do riso.

O grupo é formado, em 1991, quando Alexandre Roit e Hugo Possolo conhecem-se na Escola de Circo de Santo André. No ano seguinte, Jairo Mattos e Arthur Leopoldo Silva, somam-se temporariamente à equipe, realizando algumas participações. Mas é somente em 1994, que o grupo estabelece seu trio central, com a entrada de Raul Barretto, formação essa que se estende por mais de dez anos e que contará ainda, continuamente, com a colaboração de artistas contratados, conforme as necessidades de cada montagem. A produção do grupo, desenvolvida ao longo desse primeiros anos de atividade, privilegia a rua como espaço cênico e as técnicas circenses aliadas ao clown.

Bem Debaixo do Seu Nariz, em 1991, é a primeira realização assinada pelo grupo, seguida de Nada de Novo, também uma criação coletiva, ainda no mesmo ano, e Parlapatões, Patifes e Paspalhões, de Hugo Possolo, em 1992, cujo sucesso acaba por batizar a equipe. Em 1993, estréia Sardanapalo, novamente texto de Hugo Possolo, montagem  que será retomada e reformulada sete anos depois e que tem direção de Carla Candiotto, eventual colaboradora do grupo. Em 1995, Zérói é escrito e dirigido por Hugo, um espetáculo de rua, com maior porte, e que narra "a história de um zé-ninguém em busca da sua vã heroicidade".1

U Fabuliô, 1996, baseado em quadros medievais e renascentistas, traz à cena o humor pícaro, direto e cheio de irreverência típicas da farsa. No ano seguinte, o grupo dedica-se a Piolim, uma homenagem ao grande palhaço paulista do começo do século XX. Em 1998, o grupo têm grande êxito com a encenação de Emílio Di Biasi para ppp@WllmShkspr.br, uma adaptação de Jess Borgeson, Adam Long e Daniel Singer de diversas obras de William Shakespeare, com destaque para os intermezzos cômicos. Não Escrevi Isso, nova criação de Hugo Possolo, fecha uma trilogia dedicada aos temas históricos, em 1998. No mesmo ano, entra em cena De Lá Prá Cá, De Cá Prá Lá, espetáculo de malabares dirigido por Carla Candiotto.

Iniciam o projeto Pantagruel, baseado no escritor renascentista François Rabelais, apresentando alguns espetáculos breves, nascidos de improvisos, que são: Os Mané, Poemas Fesceninos, Mistérios Gulosos, Água Fora da Bacia, todos em 1999; e Um Chopes, Dois Pastel e Uma Porção de Bobagem, de 2000. A estréia da peça Pantagruel, de Mário Viana, ocorre apenas em 2001 e marca o aniversário de dez anos de existência do grupo.

Sobre a realização, comenta a jornalista Luciana Pareja: "Pantagruel é um gigante, príncipe-herdeiro do reino de Utopia. Após a invasão de sua terra pelo exército racionalista da Sorbonne, vê-se obrigado a empreender uma viagem em busca de um modo de reaver seu país. Para isso, tem de encontrar a ilha da Quintessência e, lá, a Divina Botelha, para adquirir a fórmula da sabedoria.[...] A montagem continua trazendo os mesmos elementos característicos do grupo - as piadas escancaradas, a liberdade de vocabulário, o improviso - a algumas engenhosidades vindas da pesquisa: música ao vivo, bonecos de espuma que perdem a cabeça, composição cenográfica com tecidos costurados e tingidos e um Pantagruel gigante, nada mais que um enorme boneco carregado por seu intérprete Raul Barreto".2

Na abertura do livro que traça um histórico informal do grupo, Danilo Santos de Miranda, o diretor do Departamento Regional do Sesc São Paulo, traça um pequeno perfil: "Apresentar a história de um grupo que há dez anos está presente nas ruas, nos picadeiros e nas mais tradicionais salas de espetáculos - trazendo em sua essência o riso e o humor crítico - é ao mesmo tempo um desafio e um orgulho. Desafio porque junto com o riso há a irreverência, a ironia e muito improviso. Portanto é necessário desfazer-se de cerimônias e deixar a espontaneidade conduzir o texto. Orgulho, porque sempre pudemos acolher esses jovens visionários, fiéis a sua arte: Os Parlapatões, Patifes e Paspalhões. Nascidos na rua, tendo por palco a praça disponível e por público os transeuntes que, espontaneamente, circundavam estes jovens que divertiam com números circenses e passavam o chapéu, os Parlapatões atingiram a maturidade e carregaram para as salas de espetáculos a magia do circo, o mistério do teatro, uma dramaturgia própria e a relação direta com o público".3  

Notas
1. SANTOS, Valmir. Riso em Cena. São Paulo: Estampa, 2002.

2. PAREJA, Luciana. Pantagruel. Folha de S.Paulo, São Paulo. Ilustrada, p. E1.

3. MIRANDA, Danilo Santos de. In: SANTOS, Valmir. Riso em Cena. São Paulo: Estampa, 2002. p. 9.

Outras informações do grupo Parlapatões, Patifes & Paspalhões:

  • Outros nomes
    • Grupo Parlapatões, Patifes e Paspalhões (São Paulo, SP)
    • Parlapatões, Patifes e Paspalhões

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Fontes de pesquisa (6)

  • ALBUQUERQUE, Johana: Parlapatões (Ficha de grupo) In: _________. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para a Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
  • ALCALDE, Luísa. Ele é um palhaço. Veja, São Paulo, p. 20, 13 set. 2000.
  • PANTAGRUEL. Direção Hugo Possolo. São Paulo, 2001. 1 folder. Programa do espetáculo, apresentado em 2001.  
  • PAREJA, Luciana. Pantagruel. Folha de S.Paulo, São Paulo. Ilustrada, p. E1.
  • PARLAPATÕES, PATIFES & PASPALHÔES. Acervo.
  • SANTOS, Valmir. Riso em Cena. São Paulo: Estampa, 2002.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • PARLAPATÕES, Patifes & Paspalhões. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/grupo115526/parlapatoes-patifes-paspalhoes>. Acesso em: 19 de Out. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7