Artigo da seção grupos XPTO

XPTO

Artigo da seção grupos
Teatro  

Histórico
Grupo dedicado a um teatro que mescla atores e bonecos, empregando um misto de técnicas e recursos, elaborando uma linguagem refinada e intensamente criativa, encabeçado pelo diretor, cenógrafo e figurinista Osvaldo Gabrieli.

Sem ainda constituir-se num grupo, Natália Barros, André Gordon, Roberto Firmino e Osvaldo Gabrieli participam de performances, nos primeiros anos da década de 1980, em casas noturnas como Madame Satã e Carbono 14, espaços em que se apresentam grupos de rock como o Ira, Júlio Barroso e a Gang 90, Titãs e Mercenárias. Osvaldo trabalha com bonecos na Argentina e, em São Paulo, ao lado do artista plástico José Roberto Aguilar, participa de alguns eventos. O grupo nasce em abril de 1984, depois de uma pequena apresentação de teatro de bonecos no Café Piu-Piu. Ali Osvaldo expõe alguns trabalhos e Natália e Roberto participam da performance de abertura da exposição. André propõe a criação do grupo, mas é Beto Firmino quem o batiza, lembrando de uma personagem da peça Rasga Coração que a toda hora fala XPTO, uma gíria dos anos 1930 para designar "coisa fina". A primeira criação voltada efetivamente ao teatro, em 1984, é Buster Keaton Contra a Infecção Sentimental e, logo a seguir, A Infecção Sentimental Contra-Ataca que, reunidos, são apresentados no Teatro do Bixiga em horário alternativo. O grupo sai do anonimato, ganha a mídia e consolida-se, partindo para novos projetos.

A expressividade do grupo é alcançada basicamente com os recursos ligados à animação: objetos sonoros e luminosos, adereços de diversas qualidades, sonoridades estranhas obtidas de materiais improvisados etc., e os atores-manipuladores podem ou não representar também personagens.

Em 1986, Natália e André saem do conjunto, para formar a banda Luni; enquanto Gabrieli prossegue o percurso aberto, associando-se a Sidnei Caria, Wanderlei Piras e Anie Welter. Kronos, criado em 1987, aborda o tempo e suas implicações; enquanto Coquetel Clown, em 1989, incorpora técnicas clownescas à expressividade cênica, tornando suas apresentações intensamente teatrais.

Um remix de vários trabalhos anteriores surge em 1991, com XPTO Mega Mix; até a mais ambiciosa criação do conjunto, efetivada com Babel Bum, que incorpora integrantes do grupo Pia Fraus Teatro e suas técnicas circenses, numa encenação que utiliza todo o palco. XPTO Futebol Clube e Aquelarre 2000 - La Luna são criações em espaço aberto, realizadas no Sesc Interlagos. O Pequeno Mago retorna à caixa preta do teatro, espetáculo destinado aos adolescentes. Buster e o Enigma do Minotauro, em 1997, assim como Além do Abismo, em 1999, constituem novos desdobramentos criativos em torno da personagem-emblema do grupo. Vários integrantes saem e são substituídos por outros, que encabeçados pelo cérebro do grupo, Osvaldo Gabrieli, constroem a nova versão de A Infecção Sentimental Contra-Ataca, em 2001, redimensionando a primeira criação da equipe, agora com produção do Teatro Popular do Sesi (TPS). Em 2002, realiza uma mal-sucedida versão de A Tempestade, de Shakespeare, em que as imagens e a movimentação corporal são priorizadas em relação ao texto, e um espetáculo para espaços abertos, Estação Cubo, em que uma estrutura de ferro de 6 metros de altura serve de palco para 27 atores. Em 2003, o XPTO inaugura o Teatro Santa Cruz, com Utopia - Terra de Dragões, espetáculo que mistura dança, música e teatro de bonecos e, em seguida, realiza O Sonho de Voar, outro espetáculo ao ar livre, numa releitura do mito grego de Ícaro.

Na crítica ao espetáculo que projeta o grupo, Buster Keaton e a Infecção Sentimental, o crítico Edelcio Mostaço afirma: "O prazer que a realização exala não vem tanto de seu perfeito acabamento artesanal como linguagem cênica, mas especialmente de sua capacidade em instalar o espectador numa reconciliação lambuzada de teatralidade viva com o ato da criação. [...] Em Buster Keaton várias linguagens cênicas se entrelaçam com bom humor: fantoches, luzes, adereços, música, canto, poesia adolescente e muita citação de signos que os cinemas mudo e romântico dos anos 50 popularizaram como o ambiente ideal para um caso de amor. Os três atores multiplicam em inúmeras metáforas a - pode-se dizer eterna - convivência de pierrô, colombina e arlequim. A infecção sentimental, esta peste que nos contamina, parece ter sido lida em Artaud e reproduzida no palco em dimensões microscópicas, como uma verdade que se conta apenas para poucos. [...] Dois momentos antológicos de criatividade destacam-se: o diálogo dos olhos que se encontram e o esquete das flores que engravidam as pessoas".1

Notas

1. MOSTAÇO, Edelcio. O prazer de um choque estético. Folha de S.Paulo, São Paulo, 20 maio 1985.

Outras informações do grupo XPTO:

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    • Grupo XPTO

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Fontes de pesquisa (3)

  • ALBUQUERQUE, Johana. XPTO (ficha curricular) In: ___________. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para a Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
  • GABRIELLI, Oswaldo. Depoimento enviado por  e-mail à Enciclopédia de Teatro. São Paulo, 8 jul. 2002.
  • MOSTAÇO, Edelcio. O prazer de um choque estético. Folha de S.Paulo, São Paulo, 20 maio 1985.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • XPTO . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/grupo115465/xpto>. Acesso em: 24 de Mai. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7