Artigo da seção grupos Cia. Carona de Teatro

Cia. Carona de Teatro

Artigo da seção grupos
Teatro  

Histórico
A Cia. Carona de Teatro, sediada em Blumenau, Santa Catarina, desde sua fundação em 1995, é criada por Pépe Sedrez (1970), Roberto Morauer (1969) e Léo Kufner. Consolida-se como um grupo voltado para a pesquisa da linguagem do ator e desenvolve produções de diferentes naturezas, constituindo um repertório abrangente e eclético. 

Em agosto de 2006, é criado o Grupo de Pesquisa Cênica, aberto a estudantes de teatro e integrantes de outros grupos teatrais da região. Novos colaboradores se juntam à companhia, que passa a ter a seguinte formação: Pepe Sedrez (na direção), Léo Kufner, Fábio Hostert (1977), James Beck (1974), Sabrina Marthendal (1986) e Sabrina Moura (1981). Dentro deste conjunto, alguns atores se aprofundam em linhas específicas de trabalho, como Hostert, na pesquisa da voz, e Beck, no clown.

Cotidianamente em sua sede é feito um treinamento que engloba exercícios físicos, preparando os atores para distintas propostas de criação. Além dessa prática, a companhia amplia sua pesquisa por meio de intercâmbios com outros artistas e grupos, como o Grupo Lume, de Campinas, São Paulo, e a Periplo Cia. Teatral, de Buenos Aires, Argentina. Os dois grupos contribuem particularmente para a pesquisa autoral da Cia. Carona. 

A concepção de seus espetáculos caracteriza-se por uma prática colaborativa, em que todos participam em diferentes aspectos da montagem. Apesar disso, o diretor Pepe Sedrez destaca que cada ator assume responsabilidades e funções específicas, tais como dramaturgia, direção e atuação. Ao dirigir uma nova produção, Sedrez instiga, ouve, propõe, observa e auxilia cada um, fazendo com que os integrantes encontrem o sentido de seu trabalho.

A parceria com o dramaturgo Gregory Haertel - que desde 2005 contribui com o grupo tanto com textos autorais quanto com peças escritas colaborativamente com os integrantes -, serve de base para espetáculos que abordam os conflitos da sociedade contemporânea. Busca-se uma exploração inusitada do espaço e uma aproximação com o público, criando condições para que os atores tentem ultrapassar seus limites. Por isso, ao longo de seu trabalho, a Cia. Carona obtém reconhecimento nacional e é convidada para participar de importantes festivais no Brasil e no exterior.

A primeira montagem com repercussão expressiva é Os Camaradas (2000), resultante de um laboratório de texto desenvolvido com o dramaturgo argentino Alfredo Megna, com base em uma cena curta. No mesmo ano é apresentada a peça Os Camaradas Médicos, no 14º Festival Universitário de Teatro de Blumenau. Com texto de Giba de Oliveira, o trabalho já apresenta algumas das principais características da direção de Pepe Sedrez, como a precisão e a plasticidade cênica. Este estilo se afirma em criações posteriores, não apenas junto à Cia. Carona, mas também em trabalhos com outros grupos de Santa Catarina. 

Inicialmente, o grupo produz montagens voltadas ao público infantil. À medida que aprofunda sua pesquisa, forma um repertório - em grande parte com dramaturgia própria - em que fazem parte as peças O Homem Ajuda o Homem (2000) e Os Camaradas Médicos, que abordam temas como a solidão, a impotência, as dificuldades de definir e aceitar a si mesmo e ao outro, a frustração e o vazio.

Essas características evidenciam-se sobretudo em A Parte Doente (2005) e Volúpia (2008), espetáculos de algum modo complementares, nos quais a dramaturgia de Gregory Haertel inicia uma nova fase na trajetória da Cia. Carona. No processo de criação de Volúpia, que teve estreia no Festival de Curitiba, Haertel se baseia nas proposições de cada um dos envolvidos (atores, diretor, dramaturgo) e como se comportam emocional e fisicamente, além de atentar para os textos e as músicas.

Paralelamente à Volúpia, o grupo monta O Menino que Era Rato (2008), num retorno ao teatro infantil. Em 2010, com a estreia de Passarópolis, uma adaptação da comédia As Aves, de Aristófanes, a companhia se aventura na criação de uma comédia, abandona o teatro tradicional e faz as apresentações na rua.

Além de criar espetáculos, a Carona também é um importante centro de formação, pesquisa e produção de eventos em Santa Catarina. Em sua sede, instalada desde 2004 no Teatro Carlos Gomes - espaço cultural de destaque na cidade de Blumenau -, a companhia é responsável pela Carona Escola de Teatro, e realiza semestralmente mostras que apresentam ao público os resultados dos trabalhos nela desenvolvidos. Sempre que possível, a Carona, de modo a garantir a formação permanente de seus integrantes, busca oferecer, em Blumenau, oficinas com artistas do teatro nacional e internacional e espetáculos abertos à comunidade.

Outras informações do grupo Cia. Carona de Teatro:

  • Outros nomes
    • Cia. Carona

Espetáculos (12)

Fontes de pesquisa (2)

  • Cia. Carona de Teatro. Site da companhia. Disponível em: <http://www.ciacarona.com.br.>. Acesso em: outubro 2011.
  • SEDREZ, Pepe. Pepe Sedrez. Blumenau: [s.n.], 2011. Depoimento concedido a Eliane Tejera Lisbôa.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CIA. Carona de Teatro. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/grupo113296/cia-carona-de-teatro>. Acesso em: 14 de Dez. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7