Artigo da seção eventos Salão Revolucionário

Salão Revolucionário

Artigo da seção eventos
Artes visuais  
Data de inícioSalão Revolucionário: 01-09-1931
Local de realização: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Instituição de realização: Escola Nacional de Belas Artes (Enba)
Tipo do evento: exposicao | Classificação do evento: Coletiva

Histórico

É como Salão Revolucionário que fica conhecida a 38ª Exposição Geral de Belas Artes, de 1931, em razão de ter abrigado, pela primeira vez, artistas de perfil moderno e modernista. Realizado no curto período de Lucio Costa na direção da Escola Nacional de Belas Artes - Enba, de 1930 a 1931, o Salão Revolucionário sinaliza o esforço do arquiteto de modernizar o ensino de arte no país e de abrir as mostras oficiais, até então dominadas pelos artistas acadêmicos, à arte moderna. A própria composição da comissão organizadora do Salão, a partir de então, indica sua vocação renovadora: além de Lucio Costa, Manuel Bandeira (1886 - 1968), Anita MalfattiCandido Portinari e Celso Antônio, todos ligados ao movimento moderno. Aproximar a Enba e suas mostras regulares das pesquisas contemporâneas é o objetivo central do novo diretor, que em relação aos salões é enfático:

"O Salão, por exemplo - que exprime sobejamente o nosso grau de cultura artística -, diz bem do que precisamos. De ano para ano, tem-se a impressão de que as telas são sempre as mesmas, as mesmas estátuas, os mesmos modelos, apenas a colocação ligeiramente varia. Apesar do abuso de cor (ter colorido gritante, julgam muitos, é ser moderno), sente-se uma absoluta falta de vida, tanto interior como exterior, uma impressão irremediável de raquitismo, de inanição (...). Tem-se a impressão que vivemos em qualquer ilha perdida no Pacífico, as nossas últimas criações correspondem ainda às primeiras tentativas do impressionismo".

Lucio Costa assume a direção da Enba com a intenção explícita de projetar a arte moderna no país. A contratação de novos professores, afinados com o ideário moderno - entre os quais, Alexander Buddeus, Gregori Warchavchik (1896 - 1972), Celso Antônio e Leo Putz -, assim como a reestruturação das Exposições Gerais de Belas Artes e dos prêmios de viagem ao exterior estão entre as metas primeiras do arquiteto.

O Salão Revolucionário, de 1931, é a expressão mais acabada do projeto modernizador da Enba. A comissão rompe as barreiras à arte moderna erguidas pelo antigo conselho, que é dissolvido, aceitando todos os trabalhos inscritos. Participam do Salão artistas de diferentes gerações, mas todos ligados de alguma forma às pesquisas da arte moderna: Tarsila do Amaral, com A Caipirinha, 1923 e A Feira II, 1925, entre outros; Victor Brecheret, com Fuga para o Egito, ca.1924; Anita Malfatti, com obras de 1915 e 1917 (por exemplo, O Homem Amarelo, 1915/1916 e A Estudante Russa, ca.1915); Ismael Nery, com O Luar (Dois Irmãos), ca.1925Cicero Dias e seu painel Eu Vi o Mundo... Ele Começava no Recife, 1926/1929. Alguns artistas se apresentam com um número maior de obras: é o caso de Guignard, com 27 pinturas e desenhos; Portinari, com 17 trabalhos; Pedro Luiz Correia de Araújo, com 15; e de Ismael Nery; com 7. Na avaliação do crítico e escritor Mário de Andrade, três novos artistas se firmam de forma definitiva no Salão: Vittorio Gobbis, Portinari e Guignard. "São para mim", diz ele, "as revelações do Salão".

As resistências e as campanhas movidas contra a gestão de Lucio Costa à frente da Enba, a despeito do apoio (sobretudo dos alunos), levam à sua demissão em setembro de 1931, não por acaso no mês em que o Salão Revolucionário abre as portas ao público.

Ficha Técnica do evento Salão Revolucionário:

Fontes de pesquisa (16)

  • MORAIS, Frederico. Panorama das artes plásticas: séculos XIX e XX. 2. ed. rev. São Paulo: Instituto Cultural Itaú, 1991. 164 p.
  • A XXXVIII Exposição Geral de Bélas Artes. O Jornal, Rio de Janeiro, 11 set. 1931. Disponível em: < http://memoria.bn.br/DocReader/110523_03/9872 >. Acesso em: 23 maio 2018.
  • A XXXVIII Exposição Geral. O Jornal, Rio de Janeiro, 02 set. 1931. Bélas Artes, p.3. Disponível em: < http://memoria.bn.br/DocReader/110523_03/9726 >. Acesso em: 23 maio 2018.
  • ANDRADE, Mário. O Salão. In: XAVIER, Alberto (Org.). Depoimento de uma geração: arquitetura moderna brasileira. rev. ampl. São Paulo: Cosac & Naify, 2003.
  • BARATA, Frederico. Na XXXVIII Exposição Geral de Belas Artes. O Jornal, Rio de Janeiro, 13 set. 1931. Disponível em: < http://memoria.bn.br/DocReader/110523_03/9916 >. Acesso em: 23 maio 2018.
  • COSTA, Lúcio. A situação do ensino das Belas-Artes. In: In: XAVIER, Alberto (Org.). Depoimento de uma geração: arquitetura moderna brasileira. rev. ampl. São Paulo: Cosac & Naify, 2003.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • MORAIS, Frederico. Cronologia das artes plásticas no Rio de Janeiro: da Missão Artística Francesa à Geração 90 : 1816-1994. Rio de Janeiro: Topbooks, 1995.
  • PEREGRINO JUNIOR. O Salão nº 38. O Cruzeiro, Rio de Janeiro, Ano III, nº 46, 12 set. 1931. Disponível em: < http://memoria.bn.br/DocReader/003581/5760 >. Acesso em: 23 maio 2018.
  • PEREIRA, Sônia Gomes (org). 185 anos de Escola de Belas Artes, Rio de Janeiro, Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais, Escola de Belas Artes/ UFRJ, 2001-2002.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • SALÃO de 1931. Curadoria Lucia Gouvêa Vieira. Rio de Janeiro: Funarte, 1984.
  • VIEIRA, Lucia Gouvêa. Salão de 1931: marco da revelação de arte moderna em nível nacional. Rio de Janeiro: Funarte, 1984. (Temas e debates, 3).
  • XXXVIII Exposição Geral de Belas Artes. O Jornal, Rio de Janeiro, 06 set. 1931. Disponível em: < http://memoria.bn.br/DocReader/110523_03/9804 >. Acesso em: 23 maio 2018.
  • ZANINI, Walter (Coord.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Instituto Moreira Salles: Fundação Djalma Guimarães, 1983. v.2.
  • ZANINI, Walter. A arte no Brasil nas décadas de 1930-40: o Grupo Santa Helena. São Paulo: Nobel; Edusp, 1991.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • SALÃO Revolucionário. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/evento84519/salao-revolucionario-1931-rio-de-janeiro-rj>. Acesso em: 22 de Jul. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7