Artigo da seção eventos Bienal Nacional de Artes Plásticas (1. : 1966 : Salvador, BA)

Bienal Nacional de Artes Plásticas (1. : 1966 : Salvador, BA)

Artigo da seção eventos
Artes visuais  
Data de inícioBienal Nacional de Artes Plásticas (1. : 1966 : Salvador, BA): 28-12-1966 | Data de término: 28-02-1967
Local de realização: (Brasil / Bahia / Salvador) | Instituição de realização: Convento de Nossa Senhora do Carmo. Igreja (Salvador, BA)
Tipo do evento: exposicao | Classificação do evento: Coletiva

Histórico
A 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas, denominação oficial daquela que ficou conhecida como a Bienal da Bahia, é aberta ao público em dezembro de 1966, no Convento do Carmo, em Salvador. Promovida por iniciativa conjunta do governo do Estado da Bahia e de artistas locais como Juarez Paraíso (1934)Chico Liberato (1936) e Riolan (1932 - 1994), a Bienal tem importância destacada na descentralização da atividade artística no país, como também na a atualização da arte na Bahia e em toda a Região Nordeste. Reunindo artistas de variadas procedências regionais e estéticas, a mostra revela o compromisso com a divulgação de correntes artísticas díspares. Os premiados na primeira edição indicam tal postura: Lygia Clark (1920 - 1988)Rubens Gerchman (1942 - 2008)Hélio Oiticica (1937 - 1980) eRubem Valentim (1922 - 1991). Participam ainda dessa 1ª Bienal artistas renomados do eixo Rio-São Paulo e figuras importantes da cena artística local, tais como Emanoel Araújo (1940)Mario Cravo Neto (1947) e Calasans Neto (1932).

A iniciativa, com ampla repercussão em todo o país, vem somar-se às inúmeras atividades de artistas baianos que, ao longo dos anos de 1940 e 1950, se empenham na modernização do circuito artístico em Salvador pela divulgação das conquistas estéticas dos modernismos nacional e internacional. No campo das artes visuais, os nomes de Mario Cravo Júnior (1923)Carlos Bastos (1925) e Genaro (1926 - 1971) merecem ser lembrados como expoentes da arte moderna baiana. O ateliê de Mário Cravo Júnior., especialmente, constitui um pólo aglutinador da intelectualidade local, reunindo críticos, ensaístas e escritores como José Valadares, Wilson Rocha, Anísio Teixeira (1900 - 1971), Jorge Amado (1912 - 2001), e outros. Do ponto de vista de espaços dedicados às artes plásticas, a cidade de Salvador conta, até então, com a Biblioteca Pública e com a Associação Cultural Brasil-Estados Unidos, além das galerias de arte Anjo Azul e Oxumaré. O 1º Salão Baiano de Belas Artes (1949) e a revista Cadernos da Bahia, veículo de divulgação e defesa do modernismo, expressam tentativas de renovação do universo das artes na Bahia. A presença do argentino Carybé (1911 - 1997) e do francês Pierre Verger (1902 - 1996), que se instalam em Salvador no período, tem grande importância na vida cultural local, alimentando o trânsito entre a arte moderna e a cultura popular, sobretudo o universo do candomblé.

Mas não é possível falar na atualização artística baiana - da qual faz parte a 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas - sem fazer menção à intensa e vigorosa atuação da universidade sob a direção do reitor Edgar Santos, que, entre 1946 e 1962, é responsável pelos mais importantes acontecimentos artísticos na cidade. Em claro movimento de internacionalização da vida cultural, Edgar Santos está na raiz de uma série de iniciativas que são lidas hoje como parte do chamado "modernismo baiano". A Escola de Teatro, que conta com a presença de Helena Ignez, Glauber Rocha (1939 - 1981), Martim Gonçalves (1919 - 1973), Geraldo del Rey, Sérgio Cardoso (1925 - 1972), entre outros, encena o teatro moderno de Bertolt Brecht (1898 - 1956), experimentando novas concepções cênicas, alimentadas pelas contribuições de Lina Bo Bardi (1925 - 1992). Lina chega a Salvador atendendo a convite do arquiteto Diógenes Rebouças (1914 - 1994) para lecionar na universidade, quando aceita então mais um convite: o do governador Juracy Magalhães para que trabalhe na implantação do Museu de Arte Moderna - MAM/BA. O Clube de Cinema e as aulas de Walter Silveira, por sua vez, formam novas gerações de realizadores, entre eles Glauber Rocha, ideólogo do cinema novo. O Seminário de Música reúne, entre 1954 e 1963, Hans Joachim Koellreutter (1915), Walter Smetak (1913 - 1984) e Ernest Widmer (1927 - 1990), que trazem as contribuições do dodecafonismo e realizam experiências de vanguarda, como as plásticas sonoras idealizadas por Smetak, exibidas em eventos em que os músicos "tocam esculturas". A Escola de Dança, criada em 1956, primeira de nível superior no país, traz a polonesa Yanka Rudzka, uma das pioneiras da dança moderna no Brasil.

O fechamento do regime político em fins dos anos 1960 - coroando o golpe militar de 1964 - provoca, como sabido, a forte censura às manifestações artísticas e a perseguição a artistas e intelectuais. A segunda edição da Bienal da Bahia, inaugurada em dezembro de 1968 no Convento da Lapa, sofre de perto as conseqüências da ditadura militar: é fechada durante um mês, no dia seguinte à sua inauguração. Dez das obras expostas são confiscadas antes da reabertura, consideradas "subversivas". Com ela, encerram-se as Bienais Nacionais de Artes Plásticas da Bahia.

Ficha Técnica do evento Bienal Nacional de Artes Plásticas (1. : 1966 : Salvador, BA):

Exposições (1)

Fontes de pesquisa (3)

  • PONTUAL, Roberto. Arte brasileira contemporânea: Coleção Gilberto Chateaubriand. Apresentação Pereira Carneiro; tradução Florence Eleanor Irvin, John Knox. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1976. 478 p.
  • RISÉRIO, Antonio. Avant-garde na Bahia. Apresentacao Marcelo Carvalho Ferraz; apresentação Caetano Veloso. São Paulo: Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, 1995.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. Pesquisa Cacilda Teixeira da Costa, Marília Saboya de Albuquerque. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. 1106 p. 2v.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • BIENAL Nacional de Artes Plásticas (1. : 1966 : Salvador, BA). In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/evento81697/bienal-nacional-de-artes-plasticas-1-1966-salvador-ba>. Acesso em: 16 de Jul. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7