Artigo da seção eventos Avenida Dropsie

Avenida Dropsie

Artigo da seção eventos
Teatro  
Data de inícioAvenida Dropsie: 25-02-2005
Local de realização: (Brasil / São Paulo / São Paulo) | Instituição de realização: Teatro Popular do Sesi (TPS)
Tipo do evento: espetaculo | Classificação do evento: a classificar

Histórico

Depois do sucesso e do impacto de A Vida É Cheia de Som e Fúria, a Sutil Companhia de Teatro e seu diretor, Felipe Hirsch (1972), amplificam as experimentações com a imagem inspirando-se no universo do artista gráfico americano Will Eisner.

Continuando seu trabalho sobre a memória e o espaço, Felipe Hirsch organiza no palco, ao lado da cenógrafa Daniela Thomas  (1959) e do iluminador Beto Bruel, um jogo cenográfico de diversos aparatos técnicos, contando também com o aporte da produção do Teatro Popular do Sesi (TPS). A transposição da urbanidade nova-iorquina e a seleção de personagens em pequenas cenas combinam-se graças aos recursos inventivos e sofisticados do encenador.

A professora e ensaísta Sílvia Fernandes (1953) dimensiona as qualidades da encenação: "A cenógrafa ocupa a altura e a largura da cena com um imenso prédio de apartamentos, em que as janelas funcionam como pequenos palcos dentro do palco, servindo de enquadramento para os personagens solitários, da mesma forma que a cabine telefônica, as escadas e a calçada da avenida. Editadas pela luz e pela antológica trilha de canções folk e iídiche, as tomadas do cotidiano dos moradores são distanciadas no tempo por uma tela de filó, que permite a projeção dos quadrinhos de Eisner em vídeo, compondo uma narrativa claramente cinematográfica".1

Nessa composição das páginas de história em quadrinhos no palco, surpresas se sucedem, como a chuva que cai durante cerca de 10 minutos, efeito que impressiona boa parte do público. A narração em off de Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006) é um recurso que sublinha o humor do espetáculo, dividido em capítulos com títulos como Despedidas, Janelas, Subways, Paredes, Pequenos Milagres, Fiéis e Anotações sobre Pessoas da Cidade.

Para a crítica Mariangela Alves de Lima (1947), "a encenação exibe o trunfo próprio da arte cênica. Um elenco extraordinariamente talentoso empresta forma tridimensional às figuras dos desenhos. São construções frontais, em que o contorno dos gestos tem a mesma importância das falas e cada personagem - as mutações são rápidas e numerosas - exige dos intérpretes precisão milimétrica de composição visual e vocal. Versão cênica da narrativa gráfica, Avenida Dropsie exibe ainda o trunfo teatral de intérpretes tecnicamente preparados para se comunicar a partir de um palco amplo sem perder de vista a minúcia e a delicadeza de figuras que foram originalmente destinadas ao campo flexível e diminuto do papel".2

Notas

1. FERNANDES, Sílvia. Encenação gráfica. Bravo!, São Paulo, n. 92, jul. 2005. p. 105.

2. LIMA, Mariangela Alves de. A ousada jornada de Eisner até o palco. O Estado de S. Paulo, São Paulo, Caderno 2, 1 abr. 2005.

 

Ficha Técnica do evento Avenida Dropsie:

Fontes de pesquisa (4)

  • FERNANDES, Sílvia. Encenação gráfica. Bravo!, São Paulo, n. 92, jul. 2005. p. 105.
  • LIMA, Mariângela Alves de. A ousada jornada de Eisner até o palco. O Estado de S.  Paulo, São Paulo, Caderno 2, 1 abr. 2005.
  • MIRANDA, Célia Arns de (Org.) . Primeiros Dez Anos da Sutil Companhia de Teatro. 1ª. ed. Curitiba: Gráfica Serzegraf, 2002.
  • SUTIL Companhia de Teatro. Disponível em: [http://www.sutilcompanhia.com.br]. Acesso em 22/6/2007.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • AVENIDA Dropsie. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/evento458808/avenida-dropsie>. Acesso em: 16 de Jul. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7
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