Artigo da seção eventos Trate-me Leão

Trate-me Leão

Artigo da seção eventos
Teatro  
Data de inícioTrate-me Leão: 15-04-1977
Local de realização: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Instituição de realização: Teatro Dulcina
Tipo do evento: espetaculo
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Cena do espetáculo Trate-me Leão , 1978 , Teresa Pinheiro
Registro fotográfico Teresa Pinheiro

Histórico
Terceiro espetáculo do Asdrúbal Trouxe o TromboneTrate-me Leão é o trabalho de maior êxito do grupo carioca, que reúne uma plateia cativa de jovens identificados com seus temas e sua linguagem. Com dramaturgia criada coletivamente por meio de improvisações, a montagem baseia-se na própria experiência dos atores para falar dos problemas, dos rituais e do comportamento da juventude da zona sul do Rio de Janeiro.

 

Nos espetáculos anteriores, o diretor Hamilton Vaz Pereira e os atores já haviam adotado a irreverência como elemento constante em sua estética, trabalhando com a demolição e a recriação de textos clássicos - O Inspetor Geral, 1974, e Ubu Rei, 1975. Em Trate-me Leão, o grupo fala sobre o cotidiano da geração que completa 20 anos na década de 1970, invadindo a cena com temática, personagens e modo de representar que definem novas posturas diante de questões como política, sexo, drogas, prazer e teatro. Para criar a história e as situações dramáticas, o elenco toma como centro de investigação sua própria vivência. A ficha técnica atesta a opção pela criação coletiva não apenas do texto, mas também de todo o espetáculo, com os integrantes e atores dando conta de todas as demais funções artísticas e de produção.

Trate-me Leão traz uma narrativa não linear. Com vários elementos inventados pelos criadores, o espetáculo justapõe duas ou mais situações com desenvolvimento e desfecho diferentes. O figurino, com cerca de sessenta trajes, é inteiramente realista. A linguagem propõe a teatralização do cotidiano, sobre um palco inteiramente nu, sem móveis nem objetos, e é definida principalmente pelo jogo dos atores. A montagem traz a marca deRegina Casé e Luiz Fernando Guimarães na interpretação: serve-se da ironia, da paródia e, mais que tudo, da hiper-naturalidade.Yan Michalski, em sua análise, mesmo apontando para a inconsistência da dramaturgia que evita o olhar crítico sobre as personagens e a própria juventude, considera o espetáculo "talvez a mais fascinante realização de toda a trajetória do Asdrúbal Trouxe o Trombone".1

A pesquisadora Sílvia Fernandes realiza minuciosa análise do espetáculo. A descrição da primeira cena, aponta as principais características do trabalho do grupo e lança-nos no clima dos anos 1970 na Zona Sul do Rio: "A primeira cena da peça chamava-se 'Salve, juventude'. Como todas as outras, era resumida num cartaz que anunciava o tema, ao mesmo tempo em que se referia ao clima geral do episódio: 'Esse negócio de família na cabeça da gente...' O tema musical de abertura era a canção americana Exército do Surf, gravada por Wanderléia, que funcionava para a memória do grupo como recordação da adolescência, o auge da Jovem Guarda de Roberto e Erasmo Carlos, por volta de 1965. No palco vazio duas garotas preparam-se para uma festa enquanto conversam sobre problemas de família, introduzindo o tema que vai se repetir por toda a peça. O primeiro diálogo mostra os atores/personagens trocando os nomes reais pelos ficcionais. A personagem Patrícia é feita pela atriz Nina de Pádua, enquanto Patrícia Travassos faz a personagem Regina. É a primeira sugestão de um depoimento. A frase seguinte - quem vem? - dita pelo ator José Paulo Pessoa, imitando o som de campainha, é um procedimento repetido durante todo o espetáculo e cria uma sonoplastia baseada exclusivamente nas vozes dos atores. O mesmo acontece em relação ao espaço, demarcado pelo movimento" .2

Notas

1. MICHALSKI, Yan. O teatro sob pressão: uma frente de resistência. Rio de Janeiro: Zahar, 1985, p. 72.

2. FERNANDES, Silvia. Grupos teatrais: anos 70. Campinas: Unicamp, 2000. p. 53.

Ficha Técnica do evento Trate-me Leão:

Representação (2)

Midias (2)

Registro fotográfico Teresa Pinheiro

Registro fotográfico Teresa Pinheiro

Fontes de pesquisa (3)

  • TRATE-ME LEÃO. Direção Hamilton Vaz Pereira. Rio de Janeiro, 1977. 1 folder. Programa do espetáculo, apresentado no Teatro Dulcina em abril de 1977.
  • FERNANDES, Sílvia. Grupos teatrais: anos 70. Campinas: Unicamp, 2000.
  • MICHALSKI, Yan. O teatro sob pressão: uma frente de resistência. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • TRATE-ME Leão. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/evento398046/trate-me-leao>. Acesso em: 23 de Nov. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7