Artigo da seção eventos Divórcio

Divórcio

Artigo da seção eventos
Teatro  
Data de inícioDivórcio: 1947
Local de realização: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Instituição de realização: Theatro Serrador
Tipo do evento: espetaculo | Classificação do evento: a classificar
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Divórcio , 1947
Registro fotográfico autoria desconhecida

Histórico

O espetáculo estréia na segunda metade da década de 1940, quando o Brasil ainda não sonha com a legalização do divórcio. Colocando os consagrados Procópio Ferreira (1898-1979) e Bibi Ferreira (1922) lado a lado em cena, trata do tema-tabu sem ofender a delicada moral da platéia da época.

A peça, que possui o título original A Bill of Divorcement, enfoca o conflito que surge entre um casal, quando a mulher apresenta seu novo parceiro amparada pelo divórcio legal, para o qual alega a insanidade do marido. No centro desse triângulo, está a filha, que encarna os novos valores, a nova sociedade. É ela quem equaciona o conflito dos mais velhos.

Bibi Ferreira interpreta a jovem protagonista ao lado do pai, Procópio Ferreira, além de assinar a tradução e a direção da montagem. Em crítica do espetáculo, Jota Efegê dá sua opinião ao supor a maneira como o espetáculo será recebido pelo público:

"Os românticos, os que cuidam do amor eterno, 'pra toda vida', e, vezes inúmeras, se deixam ser presas das paixões irracionais, talvez façam restrições ao desfecho de Divórcio, a linda peça de Clemence Dane (...). Os sensatos, os vividos, estes, de bom raciocínio, equilibrados, esposarão, plenamente, a grande tese que a peça focaliza, desenvolve e soluciona de maneira grandiosa".1

Décio de Almeida Prado (1917-2000) observa que a montagem de Divórcio foi a única tentativa de Procópio para se inserir no processo de modernização do teatro brasileiro então em curso: "Um ato de coragem, de resto, já que enfrentava de uma só vez o feitio do papel, altamente dramático, e o paralelo que o público inevitavelmente estabeleceria com as interpretações de John Barrymore e Katharine Hepburn, na versão feita pelo cinema americano. E não se pode dizer que ele se tenha saído mal do duplo desafio. Ao contrário. Representou com eficácia e inesperada sobriedade. Mas a direção - detalhe significativo - coube a Bibi, que já pertencia, pela idade, a outro modelo de sensibilidade teatral. Paradoxalmente, valia mais para aquele fim a juventude da filha (tanto na peça quanto na vida real) que os seus trinta anos de palco".2

Notas

1. EFEGÊ, Jota. 'Divórcio'. Jornal dos Sports, Rio de Janeiro, 25 nov. 1947.

2. PRADO, Décio de Almeida. Peças, pessoas, personagens. O teatro brasileiro de Procópio Ferreira a Cacilda Becker. São Paulo: Companhia das Letras, 1993, p. 46.

 

Ficha Técnica do evento Divórcio:

Representação (1)

Título da obra: Divórcio

Artigo da seção obras
Temas da obra: Artes visuais  
Data de criaçãoDivórcio : 1947
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Legenda da imagem representativa:

Registro fotográfico autoria desconhecida

Fontes de pesquisa (2)

  • EFEGÊ, Jota. 'Divórcio'. Jornal dos Sports, Rio de Janeiro, 25 nov. 1947.
  • PRADO, Décio de Almeida. Peças, pessoas, personagens: o teatro brasileiro de Procópio Ferreira a Cacilda Becker. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • DIVÓRCIO . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/evento397977/divorcio>. Acesso em: 25 de Mar. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7