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Ralé

  • Análise
  • Ficha Técnica
  • Histórico
    Primeiro espetáculo de Flaminio Bollini (1924-1978) para o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), introduz inovações na metodologia de interpretação dos atores e na concepção de encenação.

    Nesta sua estreia como diretor do TBC, o jovem italiano Flaminio Bollini, então com 33 anos, emprega pela primeira vez uma metodologia extraída do Actor's Studio. Se até então o elenco acostumara-se com o estilo mais cerebral de Adolfo Celi (1922-1986), sobretudo voltado para a compreensão das filigranas do texto e do subtexto, experimenta agora as possibilidades da composição física e do improviso criativo baseado nas associações livres para a construção das personagens.

    A peça de Máximo Gorki é ambientada numa habitação coletiva, nos anos imediatamente anteriores à Revolução Russa. Seu tema são os conflitos entre os indivíduos, pobres e marginalizados que ali convivem, explorados pelo senhorio e por um barão. A cenografia de Tulio Costa é magistral, não apenas por revelar com dramático impacto o ambiente degradado da ação como, muito especialmente, pela criação de planos que conseguem ampliar o acanhado palco do TBC. Uma iluminação bem dosada e os figurinos também de Tulio são fatores que ajudam a equipe a atingir resultados considerados brilhantes.

    Destacam-se, no numeroso elenco, Maria Della Costa (1926-2015), em sua primeira e única aparição numa produção da companhia, Ziembinski (1908-1978), Luiz Linhares, Ruy Affonso (1920-2003), Elisabeth Henreid, Marina Freire, Rubens de Falco, Maurício Barroso, Nydia Licia (1926-2015). A montagem é considerada um dos maiores sucessos artísticos da companhia.

    A crítica é amplamente favorável, como evidencia o comentário de Miroel Silveira (1914-1988): "Foi um ato de coragem, por parte do Teatro Brasileiro de Comédia, a encenação da peça Ralé, de Górki. Ato de coragem imensamente louvável, porque coloca o teatrinho da Rua Major Diogo em posição cultural de nítida importância, ao mostrar ao público, em vez de um original gracioso, de intuitos meramente recreativos, um drama que constitui marco histórico na evolução do teatro. Górki foi um mestre e influiu poderosamente na criação do teatro moderno. Conhecendo-o, compreendemos melhor o fenômeno da realidade teatral a que chegamos. Além do mais, o conteúdo evidentemente anticapitalístico da peça, seu apelo impreciso mas pungente a favor de um mundo mais humano e mais justo, fazem com que sua apresentação se aureole de simpatia, recomendando à nossa estima aqueles que tão paradoxalmente se resolveram a encená-la".1

    Notas
    1 SILVEIRA, Miroel. 'Ralé', um ato de coragem. In: ______. A outra crítica. São Paulo: Símbolo, 1976. p. 49.

  • Autoria
    Máximo Gorki

    Tradução
    Brutus Pedreira
    Eugênio Kusnet

    Direção
    Flaminio Bollini

    Cenografia
    Tulio Costa

    Figurino
    Tulio Costa

    Elenco Personagem Premiação
    Arquimedes Ribeiro Vagabundo  
    Carlos Vergueiro Kastilhof  
    Cleyde Yáconis Ana Atriz Revelação pela Associação dos Críticos
    Elizabeth Henreid Natacha  
    Fredi Kleemann Krivoy  
    José Silva Vagabundo  
    Luiz Calderaro Medredef  
    Luiz Linhares Khlech  
    Maria Della Costa Vassilissa  
    Marina Freire Kvachnhá  
    Maurício Barroso Satin  
    Nydia Licia Nástia  
    Paulo Autran Vaska Pepel  
    Pedro Petersen Vagabundo  
    Rubens Costa Aliochka  
    Ruy Affonso O Barão  
    Sebastião Ribeiro Vagabundo  
    Sergio Cardoso O Ator  
    Victor Merinov O Tártaro  
    Waldemar Wey Bubnof  
    Walter Ribeiro Vagabundo  
    Ziembinski Luká  
    Zoraide Grego Vagabundo  

    Produção
    Teatro Brasileiro de Comédia (TBC)

Espetáculos

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    início: 1968
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    início: 1969
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  • Ralé

    início: 1980

    Escola de Arte Dramática

  • Ralé

    início: 1996

    Teatro Nelson Rodrigues

Fontes de Pesquisa

GUZIK, Alberto. TBC: crônica de um sonho. São Paulo: Perspectiva, 1986. 233 p.

PRADO, Décio de Almeida. O teatro brasileiro moderno. 2.ed. São Paulo: Perspectiva, 1996. 149 p. (Debates, 211).