Artigo da seção eventos A Ronda dos Malandros

A Ronda dos Malandros

Artigo da seção eventos
Teatro  
Data de inícioA Ronda dos Malandros: 17-05-1950
Local de realização: (Brasil / São Paulo / São Paulo) | Instituição de realização: Teatro Brasileiro de Comédia (TBC)
Tipo do evento: espetaculo | Classificação do evento: a classificar
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A Ronda dos Malandros , 1950 , Fredi Kleemann
Registro fotográfico Fredi Kleemann

Histórico

Montagem do Teatro Brasileiro de Comédia, para The Beggar's Opera, de John Gay, dirigida por Ruggero Jacobbi (1920-1981), e que motivou seu desligamento da empresa.

O encenador Ruggero Jacobbi confessa, anos mais tarde, que pretendia montar a versão de Bertolt Brecht e Kurt Weill mas, temendo conflitos com a Censura, opta pelo original de John Gay. Escrita em 1728, essa opereta neoclássica focaliza a triunfante indústria da miséria, em Londres: um casal de escroques contrata pobres e maltrapilhos para perambularem pelas ruas como pedintes de esmola. O produto dos lucros, convenientemente dividido com o Chefe de Polícia, assegura a sobrevivência dos envolvidos no golpe. Um bandido, MacHeath, apaixona-se pela filha do casal, casando-se com ela às escondidas. Preso, é finalmente libertado, por ordem da Rainha, para que tudo acabe bem e os negócios não sejam prejudicados.

Traduzida e adaptada por Maurício Barroso e Carla Civelli, mulher de Jacobbi, a versão encenada inclui alguns versos de Cruz e Sousa, abrasileirando ainda mais o enredo, tratado propositadamente de modo atemporal pela encenação. A cenografia e os figurinos de Tulio Costa referem-se a estilos e tempos diversos, ressaltando o tom farsesco que constitui o fundamento de toda a proposta.

Os principais papéis são defendidos por Cacilda Becker (1921-1969), Nydia Licia (1926), Sergio Cardoso (1925-1973), Ruy Affonso (1920-2003), Marina Freire, Elizabeth Henreid e Marisa Marcos, contando a montagem com numeroso elenco de apoio.

A encenação, todavia, é suspensa ao fim de três semanas, embora os números do borderô apontem para um relativo sucesso. Existem controvérsias sobre esse incidente. Para o crítico e historiador Alberto Guzik (1944-2010) "as motivações são ideológicas: a montagem punha o dedo num problema espinhoso para as elites, motivando intermináveis controvérsias entre os membros da associação que dirigia o empreendimento".1 Para o crítico Décio de Almeida Prado (1917-2000), contudo, "o problema era mesmo artístico: a montagem era ruim, motivando o conflito entre a direção administrativa e a artística".2

Interessado num teatro popular e com indisfarçável inclinação por um teatro socialmente empenhado, Jacobbi adapta-se mal ao espírito cosmopolita do TBC e a seu programa estético e, para permanecer fiel às suas idéias, demite-se da companhia.

Notas

1. GUZIK, Alberto. TBC: crônica de um sonho. São Paulo: Perspectiva, 1986. p. 41.

2. PRADO, Décio de Almeida. TBC: o Teatro Brasileiro de Comédia revê seus 50 anos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 10 out. 1998. Caderno 2, p. D-7.

Ficha Técnica do evento A Ronda dos Malandros:

Representação (1)

Fontes de pesquisa (3)

  • GUZIK, Alberto. TBC: crônica de um sonho. São Paulo: Perspectiva, 1986. 233 p.
  • PRADO, Décio de Almeida. O teatro brasileiro moderno. 2.ed. São Paulo: Perspectiva, 1996. 149 p. (Debates, 211).
  • GUZIK, Alberto; PEREIRA, Maria Lúcia (Org.). Teatro Brasileiro de Comédia. Dionysos, Rio de Janeiro, n. 25, set. 1980. Edição especial.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • A Ronda dos Malandros. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/evento395704/a-ronda-dos-malandros>. Acesso em: 20 de Mai. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7