Artigo da seção eventos A Morte do Caixeiro Viajante

A Morte do Caixeiro Viajante

Artigo da seção eventos
Teatro  
Data de inícioA Morte do Caixeiro Viajante: 1951
Local de realização: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Instituição de realização: Teatro Glória
Tipo do evento: espetaculo | Classificação do evento: a classificar
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A Morte do Caixeiro Viajante , 1951
Registro fotográfico autoria desconhecida

Histórico

Uma obra-prima do realismo psicológico de Arthur Miller (1915-2005), A Morte do Caixeiro Viajante, é encenada pela companhia de Jaime Costa (1897-1967), expoente de atores-empresários que constroem o espetáculo em torno do próprio carisma, apostando na espontaneidade de seu trabalho e em seu talento nato, desenvolvido no embate com as platéias.

A peça enfoca o personagem Willy Loman, esmagado por um drama de ordem social e outro de origem familiar, que o levam a uma trajetória descendente até o suicídio. O velho caixeiro viajante, criado num mundo em que a amizade se sobrepunha às regras econômicas, vê seus valores perderem lugar justamente no momento em que, desempregado, procura ajuda. No âmbito pessoal, a trama se adensa quando o filho o flagra com uma amante, gerando o bloqueio das relações entre ambos. Arthur Miller propõe uma crítica social ao mesmo tempo que constrói sua história sobre um conflito psicológico e moral. Trata-se, no fundo, de um conflito de Willy consigo mesmo, entre o que ele é e o que imagina ser.

O texto propõe dois planos de ação: aquele que mostra na vida presente de Willy Loman e aquele que dá conta de sua imaginação. O programa da peça esclarece que, por esse motivo, o autor sintetiza sua obra como "conversações íntimas em três atos". A interpretação de Jaime Costa merece entusiasmados elogios da crítica. Jota Efegê escreve:

"Várias vezes criticamos nesta coluna a displicência com que Jaime Costa nos apresentava muitos dos seus papéis, arrancando da primeira à última cena todas as falas no 'ponto'. E, agora, aqui estamos para louvar a correção com que ele fez a figura de Willy Loman pondo nela todo o seu vigor de intérprete, tornando-se, verdadeiramente, magistral".1

O sopro da modernidade que se vinha fazendo sentir em diversas montagens desde os primeiros anos da década de 1940 chegava até a platéia do velho teatro brasileiro, como prova uma advertência da companhia no programa do espetáculo. Sob o título de "Este Teatro Não Tem Claque" lê-se em texto assinado por Jaime Costa:

"Abolir a claque é moralizar o teatro. Só o aplauso espontâneo tem valor e conforta o artista. Se gostar do espetáculo, aplauda. Se não gostar, vaie ou silencie. Qualquer manifestação será por nós respeitosamente acatada".2

No programa, o crédito ao trabalho de Esther Leão (1892-1971) está dividido entre direção e mise en scène, termo emprestado do francês e usado na época para definir as opções de encenação, ainda encaradas como novidade, contra o uso antigo da função do diretor, mais ligado ao ensaiador e ao coordenador do elenco. No entanto, Décio de Almeida Prado (1917-2000) observa que: "Ester Leão praticamente não dirigiu a peça, no sentido de orientação psicológica dos atores: cada um está como sempre esteve, com as qualidades e vícios já conhecidos, com as inflexões e gestos de costume, Jaime Costa representando para o papel, para a peça, comovendo pela evidente sinceridade, os outros representando para o público".3

Notas

1. EFEGÊ, Jota. 'A Morte do Caixeiro Viajante'. Jornal dos Sports, Rio de Janeiro, 8 ago. 1951.

2. COSTA, JAIME. Este Teatro Não Tem Claque. In: A MORTE DO CAIXEIRO VIAJANTE. Direção Esther Leão; texto Jaime Costa. Rio de Janeiro, 1948. 1 folder. Programa do espetáculo, apresentado no Teatro Glória em 1948.

3. PRADO, Décio de Almeida. Apresentação do teatro brasileiro moderno. São Paulo: Perspectiva, 2001, p. 170.

 

Ficha Técnica do evento A Morte do Caixeiro Viajante:

Representação (1)

Fontes de pesquisa (4)

  • A MORTE DO CAIXEIRO VIAJANTE. Direção Esther Leão; texto Jaime Costa. Rio de Janeiro, 1948. 1 folder. Programa do espetáculo, apresentado no Teatro Glória em 1948.
  • A MORTE do Caixeiro Viajante. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Espetáculos Artes Cênicas. 
  • PRADO, Décio de Almeida. Apresentação do teatro brasileiro moderno: crítica teatral de 1947-1955. São Paulo: Perspectiva, 2001. 381 p. (Estudos; 172) 
  • PRADO, Décio de Almeida. Teatro em progresso: crítica teatral, 1955-1964. São Paulo: Martins, 1964. 314 p.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • A Morte do Caixeiro Viajante. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/evento395677/a-morte-do-caixeiro-viajante>. Acesso em: 21 de Nov. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7