Artigo da seção eventos A Moratória

A Moratória

Artigo da seção eventos
Teatro  
Data de inícioA Moratória: 06-05-1955
Local de realização: (Brasil / São Paulo / São Paulo) | Instituição de realização: Teatro Maria Della Costa (TMDC)
Tipo do evento: espetaculo | Classificação do evento: a classificar

Histórico

Peça de estréia do dramaturgo Jorge Andrade (1922-1984), encenação de Gianni Ratto (1916-2005) para o Teatro Maria Della Costa (TMDC), com interpretação marcante de Fernanda Montenegro (1929).

O texto enfoca a crise na produção cafeeira nacional gerada pela quebra da Bolsa Valores de Nova York e acompanha a derrocada de uma aristocrática família reduzida subitamente à pobreza. Centralizando o conflito está o velho Quim, um coronel à antiga, que vê os filhos e a mulher minguarem, saudosos dos velhos tempos e sem perspectivas de futuro. Ambientada em dois momentos - os anos de 1929 e 1932, antes e depois do desastre econômico, a estrutura dramatúrgica intercala cenas na casa da fazenda e cenas na pequena casa da cidade, onde a família passa a viver dos modestos ganhos dos filhos, especialmente de Lucília, que se torna costureira. Esse recurso permite ao autor apresentar o verso e o reverso das situações, justificando comportamentos e projetando expectativas. A alternância entre os dois momentos, mostrados simultaneamente, constitui-se no trunfo maior da arquitetura cênica de A Moratória.

A produção do Teatro Maria Della Costa é esmerada e cerca-se de todos os cuidados. A direção e a cenografia são entregues a Gianni Ratto, que dispõe de longo período para burilar o trabalho dos atores. Despidos de teatralidade, concentram nas inflexões psicológicas o principal do material expressivo, alcançando um conjunto de desempenhos de rara profundidade. Elísio de Albuquerque e Monah Delacy vivem os pais; Fernanda Montenegro e Milton Moraes, os filhos; Sergio Britto (1923-2001) faz o noivo; e Wanda Kosmo uma tia que visita a família. A harmoniosa realização, perpassada de sensibilidade, evoca climas de Anton Tchekhov e Arthur Miller, dois modelos que Jorge Andrade admira e com os quais dialoga.

Em seu comentário crítico, Décio de Almeida Prado (1917-2000) assim escreve sobre a encenação: "A peça de Jorge Andrade apóia-se inteiramente, não sobre o espetáculo, mas sobre o desempenho individual dos atores. Propunha, portanto, uma nova prova para Gianni Ratto, que a venceu com a maior maestria, oferecendo-nos uma representação primorosa, pouco menos que perfeita, uma das melhores que já vimos em palcos nacionais. (...) Esse o milagre da encenação: o de ser tão singela, tão verídica, não acrescentando nada à peça, no sentido de achados exteriores. Fez o mais difícil: deixou as personagens serem livremente sentimentais, sem ela mesma o ser. Na comoção, guardou o mais possível o senso de recato e de medida".1

Notas

1. PRADO, Décio de Almeida. A Moratória. In: ______. Teatro brasileiro moderno. São Paulo: Perspectiva, 1996. p. 102.

 

Ficha Técnica do evento A Moratória:

Fontes de pesquisa (5)

  • ANDRADE, Jorge. Marta, a árvore e o relógio. São Paulo: Perspectiva, 1970. 656 p.
  • PRADO, Décio de Almeida. O teatro brasileiro moderno. 2.ed. São Paulo: Perspectiva, 1996. 149 p. (Debates, 211).
  • RATTO, Gianni. A mochila do mascate. São Paulo: Hucitec, 1996. 382 p.
  • SILVA, Tânia Brandão da. Peripécias modernas: companhia Maria Della Costa. 1998. 204 p. Tese (Doutorado em História da Arte) - Instituto de Filosofia e Ciências Sociais. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1998.
  • SILVEIRA, Miroel. A outra crítica. São Paulo: Símbolo, 1976. 255 p.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • A Moratória. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/evento395654/a-moratoria>. Acesso em: 25 de Set. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7