Artigo da seção eventos Alice no País Divino-Maravilhoso

Alice no País Divino-Maravilhoso

Artigo da seção eventos
Teatro  
Data de inícioAlice no País Divino-Maravilhoso: 29-07-1970
Local de realização: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
Tipo do evento: espetaculo

Histórico
A montagem, dirigida por Paulo Afonso Grisolli (1934-2004), propõe um espetáculo que se insere na renovação estética que caracterizará o teatro da década de 1970: a quebra do realismo com a valorização dos recursos teatrais associada a um olhar crítico sobre a moralidade e os padrões de comportamento.

Os autores - Tite de Lemos (1942-1989), Luiz Carlos Maciel (1938), Marcos Flaksman (1944) (também cenógrafo), Sidney Miller (1945-1980) (compositor das músicas) e o próprio Grisolli - extraem da história de Lewis Carroll (1832-1898) a descoberta progressiva do mundo adulto e a construção onírica.

A adaptação teatral do texto de Lewis Carroll é apenas um roteiro para a criação cênica. A equipe de criadores busca, por meio da sucessão de imagens, expressar de forma não discursiva a perplexidade da juventude diante do mundo contemporâneo. As descobertas são acompanhadas do temor diante das leis morais que regem os comportamentos e da forma repressiva pela qual são impostas. O estudo do corpo ocupa boa parte do processo de criação, e o trabalho de Klauss Vianna (1928-1992) e transforma em um dos elementos mais ricos da montagem. A protagonista Alice é interpretada por seis atrizes. Os atores, vestidos de jeans e camiseta, compõem as personagens trocando os adereços dispostos sobre o cenário.

Baseada na valorização e na combinação dos elementos não verbais, a encenação consegue, nos seus melhores momentos, formar uma linguagem em que a música, a movimentação e a ambientação se completam e constroem uma atmosfera de sonho e angústia. O espetáculo recorre à proliferação de elementos cênicos que se acumulam pelo espaço. Todas as músicas são cantadas em uníssono, contrastando com a elaboração instrumental das composições.

Segundo o crítico Yan Michalski (1932-1990), há dois desempenhos a destacar: "[...] a magnífica vitalidade de Milton Gonçalves, um senhor ator que carrega nas costas todas as cenas de que participa, e que transforma a cena de João Evangelista num comovente ponto alto do espetáculo" e "a surpreendente presença de Maria Teresa Medina, num trabalho exato, malicioso, pontuado por uma musicalidade e uma expressão corporal sem falhas".1 Luiz Carlos Maciel, que participou da idealização do projeto, escreve em sua coluna no jornal Última Hora: "Aceita a estrutura aberta de Alice e seu método associativo, ninguém terá dificuldades em reconhecer o fato palpável de que estamos diante do espetáculo mais inventivo que o teatro brasileiro produziu nos últimos anos".2  Para Yan Michalski, a montagem é "uma proposição importante e renovadora, na medida em que a colocarmos em comparação com tudo que nos tem sido servido até hoje sob o rótulo de musical".3

Notas
1 MICHALSKI, Yan. Alice: com que sonham as adolescentes (II). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 20 ago. 1970.
2 MACIEL, Luiz Carlos. A nossa Alice (II). Última Hora, Rio de Janeiro, 4 ago. 1970.
3 MICHALSKI, Yan. Alice: com que sonham as adolescentes (I). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 19 ago. de 1970.

Ficha Técnica do evento Alice no País Divino-Maravilhoso:

Fontes de pesquisa (2)

  • ALICE no País Divino Maravilhoso. Rio de Janeiro: CEDOC / Funarte. Dossiê Espetáculos artes cênicas.
  • ALICE NO PAÍS DIVINO-MARAVILHOSO. Direção Paulo Afonso Grisolli. Rio de Janeiro, 1970. 1 folder. Programa do espetáculo, apresentado no Teatro Casa Grande em julho de 1970.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ALICE no País Divino-Maravilhoso. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/evento393634/alice-no-pais-divino-maravilhoso>. Acesso em: 18 de Jun. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7