Artigo da seção eventos O Avarento

O Avarento

Artigo da seção eventos
Teatro  
Data de inícioO Avarento: 26-05-2000
Local de realização: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Instituição de realização: Centro Cultural Banco do Brasil. Teatro I
Tipo do evento: espetaculo

A encenação de Amir Haddad (1937) alia o apreço pela literatura e o culto às formas do teatro popular. O texto na íntegra e a valorização da clareza da palavra se misturam ao uso pontual de máscaras, à música de referência nordestina, ao uso lúdico do cenário de inspiração elisabetana, ao figurino que sugere uma trupe mambembe e à explicitação do jogo teatral.

O texto é construído em torno de Arpagão, um usurário que trata sua família como a extensão de seus negócios. Para ele, o dinheiro é o fator mais importante e crucial da vida. Numa crise de seu poder patriarcal, decide casar o filho com uma viúva rica e a filha com um homem igualmente abastado, embora ela esteja apaixonada por um rapaz, a princípio pobretão. 

A encenação faz com que o público entre pelos bastidores do teatro, passando pela entrada dos camarins e atravessando o palco, recebido pelos atores, até chegar à platéia. O espetáculo se inicia com os intérpretes, anunciados por tambores, ocupando a entrada do público e descendo a platéia até o palco. Ao final, quando os espectadores atravessam o saguão, encontram novamente os atores, que lhes dão adeus. A música é tocada ao vivo, com os instrumentos que trazem a sonoridade das festas populares tradicionais - violino, bandolim e acordeão.

Na análise de alguns críticos, essa linguagem suaviza o conflito da peça e a densidade do protagonista e, dessa forma, torna superficial a contundente crítica que o autor faz à avareza. Barbara Heliodora (1923-2015), por exemplo, reclama por não ver em cena "o Arpagão dominado pelo vício, sofrendo realmente por amar seu dinheiro mais do que seus filhos".1 Mas o que enfraquece a montagem é a indisfarçável falta de intimidade que a maioria dos atores tem com a linguagem. Nesse sentido, os críticos são unânimes em apontar positivamente o desempenho de Angela Rebello, que "mostra os ardis da Frosina com maliciosa interpretação",2 e Tonico Pereira (1948) - que "encarna as suas fraquezas [da personagem] com a exuberância de um cômico popular".3 Segundo Bárbara Heliodora, "o trabalho de Amir com formas de teatro popular é responsável pelo que o espetáculo tem de simpático e atraente".4

 

Notas

1. HELIODORA, Barbara. Busca do riso prejudica verdade de Molière. O Globo, Rio de Janeiro, 8 jun. 2000.

2. LUIZ, Macksen. Vibração permanente. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10 jun. 2000.

3. Ibid.

4. HELIODORA, Barbara. Op. cit.

Ficha Técnica do evento O Avarento:

Fontes de pesquisa (4)

  • HELIODORA, Barbara. Busca do riso prejudica verdade de Molière. O Globo, Rio de Janeiro, 8 jun. 2000.
  • LUIZ, Macksen. Vibração permanente. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10 jun. 2000.
  • O AVARENTO. Direção Amir Haddad. Rio de Janeiro, 2000. 1 folder. Programa do espetáculo, apresentado no Centro Cultural Banco do Brasil em maio de 2000. 
  • O AVARENTO. Rio de Janeiro: Funarte/Cedoc. Dossiê Espetáculos Teatro Adulto.

Como citar?

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  • O Avarento. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/evento392461/o-avarento>. Acesso em: 04 de Abr. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7