Artigo da seção eventos A Bao A Qu - Um Lance de Dados

A Bao A Qu - Um Lance de Dados

Artigo da seção eventos
Teatro  
Data de inícioA Bao A Qu - Um Lance de Dados: 09-07-1990
Local de realização: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Instituição de realização: Espaço Cultural Sérgio Porto (Rio de Janeiro, RJ)
Tipo do evento: espetaculo

Histórico
O espetáculo, construído sobre o tema da invenção artística, lança a Cia dos Atores, sob a direção de Enrique Diaz (1967), unindo experimentação cênica e comunicabilidade.

Sem um texto nem propriamente uma história para contar, o espetáculo é concebido como uma parábola da criação artística, baseada nas obras de Jorge Luis Borges, Livros dos Seres Imaginários, e de Malarmé, Um Lance de Dados. O diretor Enrique Diaz parte da pesquisa das possibilidades narrativas não verbais para criar associações livres e sem sentido fechado. Com uma língua inventada e uma linguagem corporal que lembra um desenho animado, o roteiro propõe situações dramáticas, sem um fio condutor, a não ser a possibilidade de tudo ali emanar da imaginação de um escritor. A narrativa é demarcada pela fluência rítmica e não pela ação. A distribuição de tapadeiras no palco possibilita a agilidade das marcações. O espetáculo se assume, desta forma, como uma brincadeira teatral, uma investigação cênica sem nada a perseguir a não ser o interesse em si mesmo e na fluência do espectador.

Resultado da pesquisa e da experimentação desenvolvidas na sala de ensaio, A Bau A Qu se torna um espetáculo cult, com filas na porta embora não faça nenhuma publicidade. Na temporada paulista a crítica percebe, na linguagem proposta pelo grupo, uma genuína inquietação estética - e confere ao espetáculo o Prêmio Molière de 1991.

O crítico Jefferson Del Rios (1943) descreve: "O espetáculo não tem quase nada a dizer. É a sua audácia e o seu limite. Quer deixar sensações poéticas e divertidas. (...) as personagens de A Bau A Qu executam uma maratona de idas e vindas, montagens e desmontagens de pilhas de tijolos e jogos variados com pneus e guarda-chuvas. Eles se atrapalham e se exaltam dentro de uma engraçada incomunicabilidade (...). As cenas são estruturadas com agilidade e de forma ultradetalhista. O preciosismo mandaria falar de minimalismo, mas talvez seja melhor recordar equilibristas e palhaços".1

No Rio de Janeiro, o crítico Macksen Luiz (1945), identificando uma linguagem feita de "imagens abstratas que decompõem a veracidade das situações", considera que a habilidade do diretor é "dar solidez cênica a pouco mais que um balé de idéias esparsas". Segundo ele:

"Praticamente sem palavras (há uma babel de línguas que lembram levemente o som de idiomas conhecidos), a única frase dita durante toda a encenação é 'um lance de dados jamais abolirá o acaso'. O espetáculo se constrói sobre essa possibilidade do acaso, da sua interferência sobre o fluxo da racionalidade. São casais que se desentendem, movimentos que reproduzem a neurose urbana e gestos que supõem conflito de sentimentos. Tudo sob a égide do processo de criação".2

Notas
1. RIOS, Jefferson del. 'A Bao A Qu', uma versão requintada do besteirol. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 20 abr. 1991.
2. LUIZ, Macksen. Balé de idéias soltas. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, jul. 1990.

Ficha Técnica do evento A Bao A Qu - Um Lance de Dados:

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • A Bao A Qu - Um Lance de Dados. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/evento391701/a-bao-a-qu-um-lance-de-dados>. Acesso em: 15 de Dez. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7