Artigo da seção eventos Cacilda!

Cacilda!

Artigo da seção eventos
Teatro  
Data de inícioCacilda!: 31-10-1998
Local de realização: (Brasil / São Paulo / São Paulo) | Instituição de realização: Teatro Oficina
Tipo do evento: espetaculo | Classificação do evento: a classificar

Histórico

Tomando a vida pessoal e artística da atriz Cacilda Becker (1921-1969), José Celso Martinez Corrêa (1937) idealiza este espetáculo que é a própria história do teatro brasileiro pelo ângulo dionisíaco e delirante do encenador.

De origem humilde, lutando contra sérias dificuldades de sobrevivência, Cacilda torna-se a primeira atriz do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) ao longo dos anos 1950, encarnando um mito ainda em vida. Em 1969, vivendo a personagem Estragon, de Esperando Godot, de Samuel Beckett, é acometida por um aneurisma cerebral em cena, e vem a falecer, ainda no auge de sua carreira.

Na realização do Teatro Oficina, Cacilda é tomada por ópticas diversas, através do entrecruzamento de episódios de sua vida pessoal, das personagens que representou, dos mitos que encarnou ou ajudou a criar na mente do público. Seu perfil humano é largamente explorado, assim como os momentos históricos que exigiram sua tomada de posição.

Iniciando com uma cena profética passada no Hades, onde Perséfone profetiza a permanente renovação sobre a Terra, a vida da artista é tomada como um desdobramento desse augúrio. A escritura cênica desdobra fatos, pessoas, personagens, situações, entrelaçando, num fluxo de discurso, os momentos de júbilo do mito; levando o espectador a experimentá-lo e a desejá-lo. Bete Coelho (1962) encarna a personagem com garra e verdadeira entrega emocional, depois substituída com igual dedicação por Leona Cavalli (1970), contagiando um grande elenco que destaca Ligia Cortez, Giulia Gam, Iara Jamra, Mika Lins, Ariel Borghi, Fransérgio Araújo. A encenação de José Celso Martinez Corrêa é grandiosa, ocupando todo o espaço cênico.

Sobre a montagem, destaca a crítica Mariangela Alves de Lima (1947): "A personagem, em contraste com artistas menores, resiste a tentações. Há a tentação do casamento, da vaidade, da prosperidade e do repouso. Todas indicadas com muita sutileza, às vezes por imagens sugeridas fora do texto, para que se configure a espessura do mundo do qual é preciso desprender-se. Não há lições de moral, mas uma empatia tão grande com esse espírito exaltado e livre da protagonista, que somos conduzidos, por meio dela, a um desprendimento e a uma aventura maior do que as que poderiam proporcionar as tentações vencidas. Mesclando à biografia da atriz Cacilda Becker as suas reflexões sobre a arte e as falas das personagens que representou, a peça não se restringe ao ânimo singular de uma intérprete desmedidamente talentosa. Torna essa figura o emblema de uma força coletiva cujo ponto de partida remoto é o mito".1

Notas

1. LIMA, Mariangela Alves de. Oficina invoca Cacilda em tempo de desesperança. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 21 nov. 1998. Caderno 2, p. 3

Ficha Técnica do evento Cacilda!:

Fontes de pesquisa (3)

  • GONÇALVES FILHO, Antônio. 'Cacilda!' propõe um novo teatro, o da liberdade total. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 21 nov. 1998. Caderno 2, p. 3. 
  • LIMA, Mariângela Alves de. Oficina invoca Cacilda em tempo de desesperança. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 21 nov. 1998. Caderno 2, p. 3.
  • NÉSPOLI, Beth. Zé Celso incorpora todos os teatros em 'Cacilda!'. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 21 nov. 1998. Caderno 2, p. 3.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CACILDA! . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/evento389224/cacilda>. Acesso em: 18 de Jun. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7